An afternoon in which I want to burn and melt the horribly painful scars
within the untouchable depths of my chest in the sunlight,
The echoing sound is misery,
self-complacent words repeating inside my head
Is an existence slowly lying here rotting away
any different from a hasty death?
The dark color on my eyelids and my vivid will won’t die out,
I recognize death as death and clearly state my love
we living in Love.
we living in Tanatos.
Arquivo de outubro, 2011
Devils in Bedside
Postado em Campo Vazio com as tags 9goats black out, ainda bem que não vêem, alguém ainda lê isso?, ausência, cansaço, cansei, céu nublado, chuva negra, desolação, distância, distúrbio bipolar, dor nas costas, esquecimento, faço tudo por todo mundo e depois nada, faculdade, flores, frio, incompreensão, lembranças, luto, música lenta, memórias, modo automático, morte, não tente entender a fundo isso, parar o tempo, pensamentos, pesares, preguiça, psicologia, quero férias, realidade, saudade, sei lá, solidão, sombras, sono, sorrow, tanto faz mesmo não é?, tédio, tou sorrindo mas ninguém vê nada por dentro mesmo em 16/10/2011 por K.Birdcage
Postado em Campo Vazio com as tags tudo em 07/10/2011 por K.Amanhecia naquele sábado preguiçoso de inverno e os pássaros voavam ao longe, buscando abrigo em terras distantes destas. Levantei-me lentamente da cama empurrando os lençóis para o lado, que se amontoavam gentilmente um sobre o outro feito a neve que cairia daqui alguns dias lá fora. Ao recostar-me de lado na parede e olhar através da janela que dançava entre luzes e cortinas, vi os diversos raios de sol tímidos atravessando meu quarto e ofuscando minha visão de alguém que havia acabado de acordar. Passei minha mão direita sobre os olhos em busca de algo interessante na paisagem e vi então um vasto e longo campo com flores brancas sendo massageadas por um vento jovial que percorria aquelas planícies sem medo de se desdobrar em várias asas invisíveis que se debatiam livremente. Banhadas pela luz fraca do sol através de um céu suavemente nublado, as flores brancas soltavam poucas pétalas ao vento, que levantavam-se em espirais com gosto de paz e tranquilidade… Ao longe, uma árvore grande e com diversas raízes externas se projetava majestosamente erguendo seus longos e cansados braços para o céu, ostentando uma copa rosada e derramando uma chuva de pétalas efêmeras que se espalhavam pelo campo como bem entendiam, misturando duas essências de passado e presente, representando lutas antigas e angústias passadas marcadas em sangue, que agora nada mais eram do que memórias distantes de um passado negro que eu preferia esquecer.
Já ia me perdendo em meus pensamentos quando a vi caminhando em direção da casa, carregando uma cesta com frutas avermelhadas, ela usava um longo vestido de cores claras que se fundiam perfeitamente com sua pele branca e davam um contraste único com seus olhos castanhos e cabelos negros como a noite, que voavam livremente conforme o vento passava em volta dela para admirar sua beleza. Meus olhos fixavam-se na imagem dela e se perdiam em sonhos distantes na qual eu havia me libertado de toda a escuridão que prendia meu corpo e rasgava minha alma diariamente num sangue negro na qual eu mesmo me afogava – tudo isso fazia parte de um passado distante que não me pertencia mais e não cabia mais aos meus sentimentos se lembrarem de todo aquele temor. Ela era tão bonita, ao ver seu sorriso de longe eu conseguia sentir meu coração mais calmo e tranquilo, como se estivesse pronto para o que viesse a acontecer e pudesse enfrentar assim, qualquer medo e incerteza que já tivera antes…. Pois depois de muito tempo, eu não me sentia mais sozinho.
Não demorou para eu ir ao seu encontro do lado de fora da casa, passei pelos cômodos sem dar atenção a mobília velha e cheia de historias sobre noites frias e tristes nas quais eu mesmo já havia estado, era tudo parte de um sonho ruim que eu havia despertado e entendido que eu realmente estava no lugar que eu deveria estar agora. Abri a porta e senti a luz me envolver, rapidamente meus olhos se acostumaram com a claridade e eu a vi se aproximando de vagar e me envolvendo com seus braços atrás de meu pescoço, despreparado e surpreso só consegui esboçar um sorriso tímido, que representava toda a minha inocência e amor sincero por aquela garota que eu havia visto tantas vezes em meus sonhos, mas sempre estava distante e cercada por sombras….Mas não mais, agora ela era real e estava bem na minha frente. Seus olhos diziam muito sobre um passado difícil e cheio de escuridão, assim como os meus, mas também eram parte do passado e onde estávamos naquele momento, nem o céu nem o inferno poderiam nos separar. Estávamos num plano diferente de tudo o que já havia existido, o tempo não passava mas o dia e noite faziam turnos para nos observar e assim como eu ela, gostávamos de contemplar uns aos outros. Foi então que sem pensar duas vezes decidi deixar todas as minhas mágoas e tristezas pra outra vida, e abraçá-la fortemente como se não houvesse amanhã… E assim, sentindo o seu corpo contra o meu, pude notar a linha vermelha que nos unia, e estava tão pequena e próxima que eu sentia seu coração pulsar, como se fossemos um corpo só – duas existências que haviam visto o lado mais escuro da vida, mas agora tinham encontrado luz nas mãos um do outro para guiarem-se nesse novo amanhã pacífico e sereno.
Tudo o que aquilo representava: o lugar, o campo, a árvore, o céu, as flores e ela, haviam me acompanhado de alguma forma durante toda a minha vida, se modificando e apresentando-se de formas diferentes por muito tempo. Mas eu sentia que mesmo que tudo aquilo fosse o fim, eu estava feliz, e poderia morrer com um sorriso no rosto desde que seus braços ainda me envolvessem. Pois ao fechar meus olhos, com um sorriso infantil em meu rosto, disse palavras simples que significavam um universo de coisas que só ela poderia entender….e obtive pela primeira vez, a resposta que eu tanto aguardava…
- Eu amo você.
- Eu também amo você.
E com uma frase simples assim, senti meu corpo e o dela se esvaecer no mundo real, virando pétalas negras e rosadas que se misturavam num pilar espiral subindo pelo céu e jogando-se nas estrelas, gravando nossos nomes pela eternidade e expondo todos os sentimentos que compartilhamos, desde a angústia até o mais puro afeto em um simples brilho de uma estrela, que ficaria ali….mesmo morta há muito tempo, contando sua história para gerações futuras.
Ao abrir meus olhos, eu ainda via o campo florido, e ela ao meu lado… Sonho ou não, vida ou morte, eu não sei… Mas ela estava comigo, e era só isso que importava.