Sleeping Beauty

Postado em O Mundo Paralelo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 29/07/2011 por K.

Eu procuro por palavras para dizer-lhe enquanto você adormece
Com asas de vidro e uma voz distorcida
Eu prometo à você, que por mais frágil como eu sou, eu continuarei vivendo
Com uma prece para que o amanhã nunca chegue para nós

O quão assustada você estava enquanto estávamos separados?
Meu dedos tocavam suas lágrimas de desolação

Nós escondemos nosso amor e ficamos longe de tudo,
Casualmente nós demos as nossas costas e ficando lado-a-lado, nos sentíamos insatisfeitos com a realidade
Eu senti tanto o significado disso, que fui tomado por uma imensa dor
Vejo suas mãos distantes de mim, finas e solitárias

Nossas cartas estão jogadas, a espera pela primavera
Nesta cama que você não aparenta querer deixar,
E assim, uma nova memória é adicionada em mim.

When Everything Dies

Postado em Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 25/07/2011 por K.

Hesitei bastante muitas vezes em voltar a escrever aqui pelo menos com o passar dos últimos dias, mas tenho razões para isso. Dentre tantos rascunhos e tentativas falhas de postagem, acho que dessa vez conseguirei aglomerar um resumo geral do que se passou e o que senti nas duas últimas semanas, não espere um texto bonito, com grandes metáforas e profundidade sobre alguma emoção… O texto provavelmente não será linear, vai ser confuso, terá diversas vozes e narradores e será somente mais um retrato da dura realidade que nos golpeia de repente durante o cotidiano. Eu não espero nem que você continue lendo muito mais, pois talvez seja perda de tempo.

Os dias de julho eram sempre ensolarados naquele ano, choveu muito pouco e menor ainda foi a frequência de dias nublados e realmente frios. Parecia que uma leve brisa abraçava as pessoas na rua enquanto caminhavam cada uma em seu mundo, fechados com suas próprias preocupações e medos, lá eles se escondiam feito crianças assustadas fugindo de uma realidade triste e crua, que vestia um manto negro e carregava consigo um livro prateado com os nomes de quem ela iria visitar agora e qual mundo iria desmanchar. Mundos que foram construídos através dos anos, muitos muros foram reforçados por palavras, sorrisos, gritos, lágrimas e diversas outras expressões humanas que enriquecem nossas vidas e dão um sentido, nos diferenciado de meras placas metálicas. Mundos que tinham seu próprio céu azul, suas próprias estrelas, suas próprias maravilhas e segredos escondidos nos mais profundos oceanos da essência do ser, na alma e na mente. Laços vermelhos que saiam desses mundos, altamente conectados com pessoas diferentes com mundos diferentes, criavam um emaranhado de linhas ligando galáxias e vidas através dessas relações de amizade ou familiaridade… Laços que raramente se quebravam, mas quando se quebravam, deixavam uma ponta de lembrança  e uma rica memória como legado.

Laços que eram cortados sem piedade pela realidade e sua tesoura invisível, arrancando pouco a pouco as conexões externas que ligavam-se a aquele mundo…E quando não houvesse mais nenhuma ligação, aquela realidade seria de certa forma “esquecida” e apagada da sua própria existência, deixando somente um fantasma de lembrança… morrendo. É injusto a forma como mundos e realidades se dissolvem no nada ficando invisíveis aos nossos olhos de uma forma repentina, são acontecimentos que provocam raiva, angústia, tristeza e inconformação naqueles que um dia estavam conectados através do tempo e emoções geradas…. Mas quem somos nós para questionar? A realidade trabalha por caminhos misteriosos e define seu próprio ritmo, sendo esse descompassado ou com padrões a serem seguidos. A partir do momento que criamos nosso próprio mundo temos que entender que um dia ele será desligado, da mesma forma que muitos outros que são nossos vizinhos e importantes para nós, também serão apagados e viverão somente nos “nós” deixados – nas lembranças.

Uma pessoa só morre quando a esquecemos, você vai sentir uma dor imensa ao perder a pessoa mas não deixe-a morrer dentro de você. Qual o legado que ela deixou? Você não precisa lembrar e guardar más memórias sobre ela, se você teve bons momentos, é através desses que ela deve ser lembrada.

Um dia acordara diferente e sentia que uma crescente angústia o tomava, alguma coisa estava errada e fora do seu lugar e precisava voltar logo. A questão era: como? Nada que ele pudesse fazer iria mudar a situação, só restava-lhe esperar e tentar acreditar em alguma força maior que tudo seria diferente e ela sairia daquilo. Mas os dias se passaram e a situação não melhorou, ele temia por aquela pessoa que era a mais simpática, gentil, dócil e generosa que ele já havia conhecido… Ele não queria que a realidade a tomasse de sua vida, mas o laço vermelho ia ficando cada vez mais fino com o passar das horas. Na sua mente passavam-se várias memórias de como ela era antes de terminar numa cama, desacordada e paralisada por um espectro negro de mal-estar que insistia em ficar por perto. Lembrara de sua infância e dos bons momentos, quando se machucava e caia em lugares desconhecidos… Ela estava sempre lá com um sorriso dócil  e sua mão esticada para que ele pudesse levantar. “Aquelas vontades que as mães não realizavam e somente ela poderia fazer, bons tempos… ” ele pensava.  Lembrara então que sua infância era embaçada demais e poucas memórias poderiam ser resgatadas daquilo, mas as poucas que eram resgatadas, ela sempre estava presente com aquele sorriso e companheirismo característicos.

Mas o tempo passa… E ele havia se tornado uma pessoa com seus próprios problemas, com seus medos ampliados e sua realidade cada vez mais difícil. Ela? Havia se tornado uma pessoa executando um papel secundário em sua vida, aquela que estava presente nos domingos e não pedia nada mais do que a presença de sua família e colegas, um papel de quem não queria ficar sozinha. E ele, não reparou como o tempo foi injusto, os domingos que muitas vezes pareciam intermináveis e outras vezes passavam rápido por que ele deveria estar em outro lugar, com outras pessoas, já haviam acabado. Em sua memória, esses domingos foram frequentes e triviais, mas a imagem dela ficava em sua cabeça, ainda sorrindo e sempre com um abraço amável por perto quando necessário.

Foi quando tudo mudou e nos dias atuais ele viu que ela não sairia dessa, o espectro da depressão percorria os corredores de sua casa e o atormentava a noite enquanto se alimentava em suas lágrimas de sofrimento e saudade, não havia mais nada que ele pudesse fazer. Os cordões foram cortados e a realidade lentamente deixou de existir, desfazendo-se em milhares e milhares de grãos de luz que levavam consigo a silhueta daquela senhora que havia ficado por ali tanto tempo e tinha sido forte, mas agora clamava pelo seu descanso e paz.

Os dias seguintes foram silenciosos ao extremo, não haviam carros na rua ou pessoas passando… A alegria deixou de existir e o tempo ficou mais devagar propositalmente. O céu tinha tornado-se branco como um véu de algodão que se arrastava infinitamente pela cidade e cobria as cabeças cheias de pensamentos daqueles que tinham saudade dos que partiram. Pessoas se reuniram numa sala média pra prestar suas últimas homenagens a aquela pessoa tão discreta, mas tão essencial e que ia fazer muita falta daqui em diante, muitas daquelas pessoas nunca mais se veriam novamente devido a ela ser o último laço que os unia…. Um último nó que se desprendia e desligava milhares de outros mundos dentre si… A partir de agora, todos eram sombras, e ninguém era luz. O vento passava acariciando gentilmente a face daqueles que tentavam se conter, e muitos outros – como o próprio garoto – ficaram estáticos pelos primeiros dias, com um olhar parado e perdido no passado procurando as memórias que tinham e revivendo-as, voltando a ser criança por algumas horas…. Voltando a sentir aquele abraço quente e confortável que fazia tudo parecer mais fácil de enfrentar, um abraço que oferecia segurança e leito para que os pesadelos fugissem e nunca mais voltassem.

Tudo, uma última vez. Em algum momento foi inevitável e uma cachoeira de emoções ruins e tristes lavaram sobre seu corpo num choro quieto e inexpressivo, mas que as outras pessoas olhavam e sentiam a dor dele… Onde as mãos que chegavam aos ombros para dar apoio momentâneo não conseguiriam dizer nada que o fizesse sentir melhor, onde nenhuma palavra teria o poder de expressar como era ruim perder alguém daquele jeito, do nada. Foi então, que horas depois, ela finalmente descansou no último lugar em que iria chegar… O céu estava branco e tudo estava num silêncio abominável ainda, as pessoas se desligavam uma a uma daquele mundo e daquelas memórias que tinham tendência a ficar pra trás e virarem somente “momentos difíceis”. E do céu então, começou a nevar… Mas não uma neve congelante, branca e macia, mas sim, ciscos negros e compridos como se fossem lágrimas de luto secas que se desmanchavam ao atingir o chão. Lágrimas que representavam anos e experiências passadas que nunca mais voltariam… Lágrimas negras de saudade e despedida.

E quando todos foram embora, no meio disso tudo, ele conseguia ver a figura parada daquele velho homem, cansado de lutar e que havia enfrentado tantas batalhas e vencido elas gloriosamente com um vigor digno de nota, um vigor que tinha o feito resistente contra o tempo e doenças. Um vigor… que de nada adiantava, pois a sua vida, a sua mulher e aquela com quem ele dividiu a maior parte dos seus anos, estava morta e enterrada na sua frente. O garoto via aquele homem incapaz de chorar mais do que já tinha, parado e com um olhar tênue em direção à lápide… Seu olhar não dizia nada e nem mesmo qualquer outra palavra poderia dizer o que ele sentia, nenhuma dor era maior e nenhuma frase seria capaz de fazer tudo ficar bem. Ele ficara lá, sozinho, contemplando o fim da sua vida e tentando entender como seria agora, qual seria o sentido disso tudo e o que seria dele sem ela.

Enquanto a senhora estiver nas minhas lembranças, você nunca terá morrido pra mim. E de alguma forma, espero que tenha encontrado paz, seja lá onde estiver… Ele é forte, ele vai conseguir se virar por aqui, você sabe disso. E quando chegar a hora, a senhora sabe que ele vai estar feliz de ficar ao seu lado, pois ele sente muito a sua falta.

Descanse em paz, nós te amamos.

Stickerbush Symphony

Postado em Abismo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 10/07/2011 por K.

Por onde devo caminhar de agora em diante?
Essas sombras que envolvem-me enquanto sou corrompido,
corrompido por aquelas lembranças amargas de um triste passado que insistem em deixar marcas, cicatrizes.
Cansado de viver na penumbra de um quarto escuro esperando pelos primeiros raios de luz que assim,
carregam consigo um novo dia e talvez novas esperanças, desisto de tentar.
Vejo todos os meus desejos e sonhos sendo levados por esse estranho entardecer que mancha o horizonte
com sangue à medida que as asas negras das nuvens se abrem cobrindo todo o resto do que era visível.

Logo, um mundo de escuridão se abre e a brisa fria acaricia meu rosto, novamente me acompanhando
em mais uma jornada de desespero e angústia na qual o meu coração grita por socorro na tentativa
inútil de ser ouvido e assim não ser esquecido.
Lembro-me daqueles dias de inverno ao qual meus dedos roçavam o teu rosto gelado e calmo, que sustentava
um sorriso dócil e um olhar opaco de quem procurava me ver mas que ao mesmo tempo estava cega por
suas próprias ilusões e medos.

Foi difícil aceitar que mais uma vez a vida roubava-me uma das coisas que mais amava: você.
Os dias encheram-se de vazio à medida que as manhãs não tinham mais o mesmo sabor doce da sua presença,
não via mais o azul do céu, apenas um manto negro perpétuo que insistia em cobrir-me as vistas e
lembrar-me todos os dias daquele seu olhar, perdido, apaixonado e desesperado ao mesmo tempo, que
pedia por socorro e dizia adeus aceitando seu destino, enquanto eu não podia fazer nada à não ser
esgotar minhas forças gritando teu nome e tentando reunir forças pra lhe alcançar.

E eu continuo caminhando. Sem rumo.
Vivo preso no corpo de um estranho, não tenho nome, não tenho ocupação, apenas jogo estes versos
ao vento para que ele carregue-o pra longe onde espero que a minha dor crie asas e voe junto
com eles pra onde os nossos olhares não sejam lembrados, nossas gargalhadas estejam mergulhadas
em um profundo silêncio e onde o nosso amor consiga florescer novamente, desempedido de todas
as mentiras e falsos testemunhos que presenciavam antes. Onde nem mesmo o céu e o inferno
poderá nos separar…E se assim insistir em levarem-te novamente de mim, irei junto, deixando
que a correnteza piedosa de um mar negro pelo caos me leve pra junto de ti.

17/01/2010

Black Reaper

Postado em Minha mente doente com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/07/2011 por K.

Era uma noite fria de julho, sem muitas estrelas visíveis e com um céu totalmente negro onde nem mesmo as nuvens tinham vontade de aparecer… O frio era intenso, mas ainda dentro dos limites da normalidade para o local. Na penumbra, em baixo de uma árvore, era possível ver sua silhueta cansada e notar seu olhar caído e desanimado em direção ao céu, o jovem dentro de vestimentas negras parecia estar cansado, mas não havia sinais de luta pelo seu corpo ou uma afobação eminente através do seu rosto. A cidade inteira parecia não existir mais, como se de uma noite para a outra todas as almas se perdessem num redemoinho de desespero e solidão inescapável. Ele não ligava, até gostava da solidão e tinha se acostumado com isso…. Afinal, sua vida toda fora assim, um retrato de si mesmo – miserável e abandonado – caminhando com as mãos no bolso durante um dia frio em meio a uma multidão sem cor e disforme que não o via, nem faziam questão de ver. Naquela noite ele podia sentir o frio percorrendo suas veias e sendo expulso pelo seu corpo em pequenas tossidas curtas e silenciosas, embora adorasse essa época do ano, sentia que o frio de fora não se equiparava ao frio interior, o frio que a sua alma sentia e já desistia de tentar lutar contra.

Seus cabelos negros e de um comprimento considerável, cobriam parte do seu rosto a medida que ele se encolhia para tentar se aquecer aos pés do velho carvalho, inutilmente. Logo em seguida lançara um olhar em frente calmo e frio, um olhar vazio e opaco que representava as noites sem sono, os dias solitários, as dores sentidas e o silêncio que estava sempre presente em si. Ele não sabia o que fazer de sua vida ou o que pensar, já tinha lutado inúmeras batalhas por ideais e outras mais por amor, amizade e sentimentos que pensara valer a pena, mas no fim, terminava sempre sozinho. E dessa vez pra valer.

O silêncio mergulhava pela cidade e nadava livremente entre as ruas escuras e outras pouco iluminadas, a cidade estava imersa numa neblina suave que parecia uma cortina quase que transparente, e ninguém se atrevia a quebrar a serenidade de tal momento. A contemplação do silêncio é algo introspectivo e pessoal, mas naquele dia, o silêncio e a introspecção haviam tomado conta da cidade e abraçado friamente o jovem que sempre os acompanhou. Ali, ele estava sozinho… Mas estava, ao menos, acompanhado da sua própria solidão. O vento soprava calmamente notas de músicas esquecidas que soavam de certa forma, fantasmagóricas na ocasião…Mas isso não mudava nada, nem o assustava. O jovem então levantou-se e caminhou serenamente dentre a neblina, procurando em vão por alguma companhia, mas tudo o que encontrava era um ambiente congelado como se o tempo tivesse parado naquela madrugada e nunca mais voltado. Foi então que resolveu aceitar sua condição e decidiu viver numa cidade sem pessoas, sem sentimentos e sem problemas.

Embora ninguém existisse de verdade ali, ele podia ver suas memórias, amigos e até mesmo a única pessoa que amou de verdade… Eles não eram reais, não estavam vivos nesse mundo e não podiam conversar com ele, mas ele sabia que se olhasse para o lado em busca de um olhar familiar, poderia pelo menos ter uma chance de ver aqueles que foram um dia importante para ele. E assim, esquecido como uma memória antiga, ele vagava furtivamente pela noite. Ele era o vapor que cobria as ruas, a sombra que dançava contra as luzes, o olhar que buscava repouso, a existência esquecida

A Deafening Distance

Postado em O Mundo Paralelo com as tags em 28/06/2011 por K.

Sinta.

Sabe, normalmente você que entraria aqui estaria preparado psicologicamente pra ler um texto repleto de paranóias, pesares e experiências negativas que refletem a alma humana e a condição na qual os muitos personagens retratados anteriormente vivem. Mas dessa vez abrirei espaço pra algo diferente, não digo que é algo que eu farei sempre pois prefiro ver esse espaço como um lado distante da minha mente na qual eu sempre visito e converso com meus próprios fantasmas. Acredito que da mesma forma que foi retratado a sensação de pesar e perda, devo compartilhar a primeira experiência em tempos, do oposto à isso tudo.

Por muito tempo acreditei que viver nas trevas seria minha sentença e meu julgamento, talvez não tenha errado por si próprio ao pensar nisso, mas com toda certeza vi e acredito que existem caminhos levemente mais iluminados e menos dolorosos nessa grande caminhada que vocês acompanham desde o início da abertura física de tal espaço da minha mente, ou seja, desde que minhas experiências estão sendo retratadas aqui. Essencialmente eu vejo as sombras como parte de mim e do que sou, não há como negar o passado e simplesmente esquecer tudo só por que agora a maré parecia estar mudando um pouco, o que aconteceu, aconteceu. Aceitar e entender o defeito ambulante que somos, é uma tarefa árdua e praticamente impossível, mas aparentemente terei que citar o clichê aqui: idade e experiências subjetivas influenciam muito na nossa visão sobre conceitos e experiências anteriormente vividas ou que serão possivelmente vivenciadas.

Talvez o contraste entre minhas palavras agora e as de textos anteriores seja gigante, mas assim como meus próprios demônios, fantasmas e personalidades, eu estou em constante mudança e é um processo natural, lento e que acontece inevitavelmente com todos os seres humanos deste planeta. Essa mudança é quase imperceptível e geralmente só pode ser vista por terceiros, que te julgarão comparando a forma que você agia antes com a que você age agora. Nesse processo de mudança, há uma intrínseca e turbulenta luta de valores e pensamentos que se contrariavam anteriormente…Pensamentos que pareciam dolorosos e distantes tornam-se mais próximos quando você menos espera e assim, ao invés de ver um campo negro de flores mortas, sua mente começa a dar lugar para ventos que carregam as pétalas mortas pra longe e dão espaço para o alvorecer de novos ambientes e sonhos. A verdade é que todos sofremos por diversos motivos, todos temos nosso mundo de sombras na qual nos escondemos quando algo ruim acontece e ali experienciamos a mais profunda das tristezas ou inquietações…Afundar nas sombras e prender a respiração pra explorar o mar rubro de pesares é algo bom de se fazer, cresce o espírito e fortalece sua vontade interior pra futuros problemas.

Entretanto, ficar por muito tempo nesse mesmo mar pode acarretar problemas e abrir fendas com o passado na qual fazem com que velhos ferimentos sangrem novamente. O que quero dizer é que a vida que vivemos é feita essencialmente por decepções e tristezas, sim, isso pode soar um tanto quanto pessimista e existencialista… Mas querendo ou não, é a forma com a qual aprendi a ver o mundo e não creio que vendo de outra forma – talvez mais superficial e despreocupada – eu acreditaria menos nessa teoria. Mesmo caminhando por sombras e vendo acidentes nucleares que devastaram cidades inteiras, vale a pena manter viva aquela esperança de que um pequeno rastro de luz nos aguarda em algum lugar para guiar-nos pra um rumo diferente. Vindo de mim isso chega até a ser engraçado…e hipócrita. Mas acontecimentos recentes me fizeram acreditar em tais fatos.

Felicidade é um conceito muito abstrato e distante pra mim, nunca cheguei a experimentar sua plenitude como tantas pessoas dizem ter vivido ou presenciado… Honestamente acho que dizer “estou feliz” é tão forte quanto dizer “eu te amo” para alguém, você precisa estar certo de seus sentimentos e estar muito bem equilibrado pra não se arrepender de ter dito tais coisas, pois no futuro elas pesam ou como palavras-chave pra um desenrolar ou viram somente carapaças cheias de ar que nunca demonstraram nada de valor.

Visions of a different Reality #2:

O frio me envolvia profundamente e eu podia ver minha própria respiração há poucos centímetros de distância do meu rosto, esvaecendo no nada como uma alma em busca de ajuda pra achar seu descanso. Foi então quando a vi, seus belos cabelos negros dançavam pelo ar enquanto ela se aproximava com a face abaixada e um olhar tímido ostentado por certo medo e receio se aquilo era certo ou não. Minhas mãos tremiam e por dentro eu gritava por socorro, queria fugir daquele lugar e correr até onde minhas pernas me levassem, mas ao mesmo tempo nunca desejei tanto que o tempo parasse eu pudesse reviver aquele momento de novo e de novo só para reafirmar sua primeira imagem na minha mente, a primeira e bela imagem que tive do seu sorriso altamente escondido, mas não menos belo por isso.

Ao ouvir sua voz pessoalmente senti como se a caverna de gelo que envolvia minha alma fosse derretendo pouco a pouco e cada vez mais me fizesse querer estender a duração daquela noite só pra ficar mais tempo perto dela. Seu abraço me fez sentir segurança e conforto como meu corpo clamava há meses e anos atrás, finalmente teria eu conseguido alcançar o que sempre quis? As horas voavam e a espiral de chamas que percorria meu corpo foi se acalmando ao ponto de tornar-se uma leve e agradável sensação de estabilidade e calmaria. Aquele mesmo corpo que antes havia morrido inúmeras vezes pedindo pelo fim da solidão estava finalmente em paz e eu conseguia traçar um sorriso de verdade na qual eu poderia deixar minha máscara de batalha ao lado, e assim, ser quem sou sem medo de precisar de uma aprovação externa.

Atrás daquela delicada pele branca feito a neve e um olhar perdido nas luzes da noite, eu sabia que também havia alguém que tinha sofrido bastante e conhecia o caminho das sombras tão bem quanto eu, mas isso era somente mais um motivo pra eu abraçá-la mais forte e não querer soltá-la mais. Para evitar que as sombras se aproximassem de novo – tanto dela quanto de mim – eu prometi não deixá-la sozinha, e assim fechei meus olhos sorrindo verdadeiramente após um longo tempo de dormência esperando por tal sensação.

Por mais difícil que seja o caminho que escolhemos, é necessário ir até o fim pra descobrir o desfecho ou ver novas rotas. Voltar ou ficar parado no mesmo lugar só confirma nossos próprios erros e problemas, é por isso que sigo agora em uma direção diferente…Não sei onde vou chegar nem como vou terminar, mas sei que estou em boa companhia, e independente do desfecho final, agradeço-a por me fazer sentir vivo novamente depois de tanto tempo.

Love Hurts

Postado em Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/06/2011 por K.

Chovia bastante e o vento uivava através da janela rasgando o silêncio que se instalava naquela sala vazia e escura, ali estava ele mais uma vez jogado em sua cama com seus pensamentos, dúvidas e divagações sobre a vida.  A melancolia dançava a sua volta enquanto seus pensamentos embaçados o guiavam dentre a noite, pensamentos que levavam-o ao passado e num futuro que nunca existiu… Sensações e pessoas que poderiam ter existido mas que não aconteceram, situações e momentos da vida que poderiam ter sido melhores mas não chegaram nem perto de existir verdadeiramente. Perguntava-se o por quê de sofrer tanto por sentimentos e situações que ainda nem tinham acontecido mas pareciam existir, na sua mente…. O mar de ilusões o afogava em volta da sua cama a medida que mãos negras puxavam seu corpo pra baixo num mar escuro de pesares onde o único feixe de luz estava extremamente distante e cada vez mais fraco.

Lembrara da cidade em que viveu e dos poucos bons momentos que teve, eram poucos mas ainda valiam a pena serem lembrados. Percorria toda sua história em busca de uma linha em específico ou um trecho que tivesse desvirtuado tudo, mas não encontrava tais evidências! Onde em sua vida ele teria realmente errado? Era triste pensar que haviam tão poucas pessoas na sua vida e menos ainda as que se importavam com ele de verdade, a cada dia sentia-se mais sozinho e com menos vontade de acordar num dia após o outro… Qual era o propósito de viver? Ninguém sabe o motivo da existência, ninguém tem uma resposta pra felicidade, ninguém sabe qual o real sentido de tudo… Tudo é sofrimento, a essência humana é movida por turbilhões negros de desolação que se alimentam de mentes desocupadas. Era o que ele se perguntava e nunca tinha respostas.

Por mais que tudo fosse difícil e estúpido, as vezes somente a morte parecia ser a solução de tudo… Mas morrer não responde nada nem resolveria seus questionamentos, morrer só prova o quão vazio somos e o quão susceptíveis estamos em relação a decepções e dificuldades impostas pela realidade. Morrer é afirmar o fracasso e aceitar nossa essência: o vazio. Somos preenchidos diariamente por pensamentos e emoções que lavam nossa mente e corpo através de diversas reações que nos fazem agir de formas diferentes, mas no fundo das engrenagens humanas existe um grande espaço negro e vazio com uma peça faltando. Essa peça é subjetiva e particular de cada indivíduo, cada um sente a falta e o vazio por um motivo em especial, cada corpo perdeu parte da sua essência ao nascer e busca incansavelmente saciar essa sede indomável.

Seu corpo afundava cada vez mais no mar de decepções e solidão a medida que sua mente perdia a vida e capacidade de raciocínio lógico, dando lugar pra uma cachoeira de confusões e amores perdidos que rondavam seu coração solitário. Ele chorava e gritava por ajuda, pedindo só que alguém fosse capaz de estender uma mão e tirá-lo disso, mas ninguém ouvia. Ninguém queria ouvir. Era difícil alguém com conteúdo aparecer em sua vida pois as pessoas evitam outros indivíduos complexos e afogados em seus próprios desesperos, isso reflete o quão superficial e vazia a vida do ser humano é, e ninguém quer ver e lidar com isso.

É difícil lidar com pessoas profundas, as pessoas tem medo de se envolver e notar o quanto são miseráveis.

Mas as coisas poderiam mudar! Algumas poucas vezes se sentira amado e com esperanças, mas logo as esperanças tornaram-se frustrações e desespero pois as pessoas pareciam ter medo dele, medo de se envolver, medo de dar o passo inicial e de encarar o abismo que é amar alguém. Muitas pessoas não estão prontas pra isso, outras até estão mas evitam o primeiro contato para que ele seja adiado até o máximo possível.  Seus sonhos e doces ilusões se transformavam em facas que furavam seu coração já todo remendado por relações passadas, ele pedia pra que isso não acontecesse mas era automático…Amar alguém é estar disposto a sofrer por si e pelo outro, é abandonar o solo seguro e arriscar andar numa corda através de uma fossa abissal… É morrer e renascer todos os dias com a incerteza de que o outro ainda vai sentir o mesmo por você.

No fim, não haveria espaço pra ele… Ele temia que seria mais uma pessoa que iria soltar sua mão para afundar novamente no oceano de solidão, a cada dia que passava sentia mais isso… Mas tinha que continuar tentando…. era sua única opção. De certa forma, estava preparado pro pior e saberia que ia doer, mas não seria a primeira vez que teria se deixado levar por um sentimento e sofrido por isso.

E sozinho, ele anda.

Stellar

Postado em Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 21/05/2011 por K.

Dizem que a essência do ser humano está sempre em busca de transcender e ao mesmo tempo desejar. Talvez estejam certos, talvez não.

A neblina do amanhecer era cada vez mais presente e impregnava as ruas, estradas e corações vazios… Dias frios eram seus favoritos e ele sentia-se bem com tal temperatura, mas não por que somente era frio – e sim, por causa das sensações e mudanças no comportamento de si mesmo e de outras pessoas que tal época trazia. As pessoas costumavam vestir-se melhor e falar menos, ficam mais emotivas e parecem apreciar o frágil raio de luz que é a vida. Seus dias eram tomados por longas viagens e tarefas cansativas que lhe drenavam toda a sua energia, mas recentemente algo parecia ter lhe revigorado as forças: esperança.

Semanas se passaram desde o ocorrido e ele não sentia-se mais sozinho, tinha uma companhia agora e gostava dela… Mas isso era certo mesmo? Na sua mente tudo estava bem, o fato é que tal pessoa ainda não podia ser vista por terceiros. Outras pessoas diziam a ele que estava insano e mergulhando numa cilada da sua própria mente, mas ele não ligava, enquanto sentisse esse calor que tornava seus dias frios mais agradáveis e seus pensamentos mais dóceis. Olhando através das janelas que corriam pelos seus olhos, ele via longas florestas cinzentas que exalavam neblina de seus corações, era uma paisagem bonita e o aroma doce de maçã no ar o fazia sentir-se em casa. Mas onde era sua casa? Quem o esperava?

Nunca fora um rapaz de deixar se envolver facilmente depois de certas experiências traumáticas que lhe custaram muitas lágrimas e noites sem sono, mas estranhamente dessa vez, a situação o atingiu como uma flecha dourada que explodiu em energia, fragmentando sua barreira invisível que o protegia de tais influências.  Mas ele não se sentia mal com isso! Pelo contrário, sentia-se inseguro, com medo, eufórico e palpitante. Em situações normais isso seria terrível pra qualquer um – mas não para ele, que tanto desejou sentir-se vivo novamente depois de um longo tempo de dormência, onde só conseguia sentir seu próprio vazio existencial e não mais sentir-se querido e amado por qualquer pessoa. Tal flecha devolveu-lhe a vontade de acreditar num amanhã que as coisas poderiam ser diferentes, melhores e mais claras. Mas a mesma flecha que o libertou de sua prisão, também foi a mesma que atingiu seu coração e o deixou enfraquecido… Tinha medo de dar mais um passo em falso e se arrepender, havia visto evidências e fatos que comprovassem o contrário, mas ao mesmo tempo, viu ações que comprovaram a teoria mais negativa de sua mente.

Ele não ligava, estava preparado e disposto a se arriscar… Sentir algo por alguém é mais do que sofrer ou ficar realizado, é quebrar seus próprios limites estando disposto para mudar a si e ao outro, construindo um novo amanhã melhor.  O que ele tinha a perder? Se desse errado, ele já sabia o caminho pra se levantar e sabia como fechar seus ferimentos que voltariam a sangrar… Ele não poderia simplesmente desistir e dizer adeus a tudo isso. Mesmo que, o amanhã não seja como esperasse, ele saberia que poderia tirar uma experiência disso para a posterioridade.

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