Por onde devo caminhar de agora em diante?
Essas sombras que envolvem-me enquanto sou corrompido,
corrompido por aquelas lembranças amargas de um triste passado que insistem em deixar marcas, cicatrizes.
Cansado de viver na penumbra de um quarto escuro esperando pelos primeiros raios de luz que assim,
carregam consigo um novo dia e talvez novas esperanças, desisto de tentar.
Vejo todos os meus desejos e sonhos sendo levados por esse estranho entardecer que mancha o horizonte
com sangue à medida que as asas negras das nuvens se abrem cobrindo todo o resto do que era visível.Logo, um mundo de escuridão se abre e a brisa fria acaricia meu rosto, novamente me acompanhando
em mais uma jornada de desespero e angústia na qual o meu coração grita por socorro na tentativa
inútil de ser ouvido e assim não ser esquecido.
Lembro-me daqueles dias de inverno ao qual meus dedos roçavam o teu rosto gelado e calmo, que sustentava
um sorriso dócil e um olhar opaco de quem procurava me ver mas que ao mesmo tempo estava cega por
suas próprias ilusões e medos.Foi difícil aceitar que mais uma vez a vida roubava-me uma das coisas que mais amava: você.
Os dias encheram-se de vazio à medida que as manhãs não tinham mais o mesmo sabor doce da sua presença,
não via mais o azul do céu, apenas um manto negro perpétuo que insistia em cobrir-me as vistas e
lembrar-me todos os dias daquele seu olhar, perdido, apaixonado e desesperado ao mesmo tempo, que
pedia por socorro e dizia adeus aceitando seu destino, enquanto eu não podia fazer nada à não ser
esgotar minhas forças gritando teu nome e tentando reunir forças pra lhe alcançar.E eu continuo caminhando. Sem rumo.
Vivo preso no corpo de um estranho, não tenho nome, não tenho ocupação, apenas jogo estes versos
ao vento para que ele carregue-o pra longe onde espero que a minha dor crie asas e voe junto
com eles pra onde os nossos olhares não sejam lembrados, nossas gargalhadas estejam mergulhadas
em um profundo silêncio e onde o nosso amor consiga florescer novamente, desempedido de todas
as mentiras e falsos testemunhos que presenciavam antes. Onde nem mesmo o céu e o inferno
poderá nos separar…E se assim insistir em levarem-te novamente de mim, irei junto, deixando
que a correnteza piedosa de um mar negro pelo caos me leve pra junto de ti.
17/01/2010