Arquivo de fantasmas do passado

Sleeping Beauty

Postado em O Mundo Paralelo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 29/07/2011 por K.

Eu procuro por palavras para dizer-lhe enquanto você adormece
Com asas de vidro e uma voz distorcida
Eu prometo à você, que por mais frágil como eu sou, eu continuarei vivendo
Com uma prece para que o amanhã nunca chegue para nós

O quão assustada você estava enquanto estávamos separados?
Meu dedos tocavam suas lágrimas de desolação

Nós escondemos nosso amor e ficamos longe de tudo,
Casualmente nós demos as nossas costas e ficando lado-a-lado, nos sentíamos insatisfeitos com a realidade
Eu senti tanto o significado disso, que fui tomado por uma imensa dor
Vejo suas mãos distantes de mim, finas e solitárias

Nossas cartas estão jogadas, a espera pela primavera
Nesta cama que você não aparenta querer deixar,
E assim, uma nova memória é adicionada em mim.

Upper Region

Postado em Abismo, Minha mente doente, O Mundo Paralelo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/09/2010 por K.

Logo pela manhã quando abri minha janela notei o bater das asas dos pássaros voando para longe, juntos em uma flecha negra pelo céu acinzentado, o mesmo céu que eu senti falta nos últimos meses já que todos os dias calmos e desolados assim pareciam ter evaporado para muito longe sem previsão de voltar. Arrumei-me querendo sair de casa para contemplar um pouco do dia e talvez quem sabe encontrar alguém que pudesse compartilhar do mesmo sentimento comigo.  Embora em vão, caminhei sozinho pelas ruas cobertas sutilmente por uma névoa branca e preguiçosa que traziam consigo um frio que me abraçava constantemente… Não havia ninguém pelas ruas, não me incomodei muito com isso pois já estava acostumado com tal fato, foi quando decidi me aproximar daquela grande ponte e sentar-me na beirada com as pernas suspensas no ar apenas tendo a minha força de vontade me segurando.

Com um jeito sonolento começava a chover, pingos caindo sem pressa do céu branco até atingirem o chão com tamanha tristeza daqueles que não queriam voltar a ver essas terras, terras que lembravam de dores antigas..Terras que carregavam o passado consigo a cada esquina de suas ruas. Não me importei muito em ser atingido pela chuva, de todos os fantasmas que vagavam por minha mente naquele momento, uma chuva era a última coisa que iria me incomodar. Logo em seguida ouvi o bater dos longínquos sinos da catedral que ecoava pela cidade adormecida pelo manto nebuloso que a cobria, lembrei-me de “aventuras” passadas e lugares que nunca tinha visitado antes sem ser pela companhia dela que já não estava mais comigo, sob minha face levemente inclinada para baixo observando o fim da estrada em baixo da ponte, escorriam gotas de chuva que umedeciam meu cabelo lentamente e caiam novamente num penhasco de solidão até chocarem-se contra o chão.

Eu não via ninguém pelas ruas, tudo estava na mais completa paz mas eu sabia que de algum modo em alguma realidade que não era a minha, muitas pessoas passavam por ali embaladas em seus casacos confortáveis e um guarda-chuva negro que as protegia da lamentação da natureza. Mas isso não me importava, a partir do momento que a realidade em que elas viviam era diferente da minha foi o suficiente para eu não vê-las e elas não me verem mais, éramos fantasmas em dimensões paralelas que só podiam ver a silhueta dos mesmos, mas nunca se entenderem de verdade.  O vento frio mudava de direção com freqüência carregando a chuva consigo feito um laço de tecido sem cor que brincava na mão de uma criança deslumbrando-se com as maravilhas da energia eólica, a mim apenas restava emergir em meus pensamentos em busca de algo que eu não sabia; uma solução para os meus problemas? Uma solução para o meu ócio? Novamente, eu não sabia ao certo, só entendi que deveria tomar alguma atitude…Mas não agora, há tempos em que precisamos tirar um dia para nós mesmos e descansar de tudo, todos, até mesmo de nós.

Meu sobretudo negro, já encharcado ficava cada vez mais pesado como se eu carregasse uma âncora comigo, mas eu sabia que não era um peso qualquer, era o peso de ter perdido sopros de vida que me acompanhavam… Parecia que tudo estava fadado a terminar cedo em relação a mim, como se asas negras de morte me acompanhassem. Olhei para minhas mãos dentro de luvas escuras procurando alguma salvação, só consegui ter lembranças de um passado recente que ainda me atormentava…Eu queria esquecer mas ao mesmo tempo não podia, era parte de minha vida e por mais que negasse, consegui-me sentir vivo naquele tempo.

A chuva continuava a cair de forma impiedosa e aos poucos senti mãos frias e delicadas abraçando-me, envolvendo minhas costas até as duas mãos espectrais se encontrarem em meu peito, tinha um toque delicado e suave que eu reconhecia mas não imaginaria que era possível, sua voz doce ecoou por minha mente lembrando dos momentos que passamos juntos, os bons e os maus (seria ela? não…eu devo estar ficando louco, minha mente não é mais a mesma). Quis dizer para mim mesmo que aquilo era irreal e que o abraço que eu tanto sentia falta era uma mera ilusão do meu corpo pedindo por calor…Mas não era, em algum lugar (talvez em uma dimensão diferente) eu senti sua presença próxima a mim novamente, não consegui fazer muito mais sem ser fechar meus olhos e repousar minha mão sobre a sua que parecia estar ali mas sumia lentamente com o cair da chuva, deixando somente comigo a saudade e uma foto levemente manchada pelas gotas da água.

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