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Black Reaper

Postado em Minha mente doente com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/07/2011 por K.

Era uma noite fria de julho, sem muitas estrelas visíveis e com um céu totalmente negro onde nem mesmo as nuvens tinham vontade de aparecer… O frio era intenso, mas ainda dentro dos limites da normalidade para o local. Na penumbra, em baixo de uma árvore, era possível ver sua silhueta cansada e notar seu olhar caído e desanimado em direção ao céu, o jovem dentro de vestimentas negras parecia estar cansado, mas não havia sinais de luta pelo seu corpo ou uma afobação eminente através do seu rosto. A cidade inteira parecia não existir mais, como se de uma noite para a outra todas as almas se perdessem num redemoinho de desespero e solidão inescapável. Ele não ligava, até gostava da solidão e tinha se acostumado com isso…. Afinal, sua vida toda fora assim, um retrato de si mesmo – miserável e abandonado – caminhando com as mãos no bolso durante um dia frio em meio a uma multidão sem cor e disforme que não o via, nem faziam questão de ver. Naquela noite ele podia sentir o frio percorrendo suas veias e sendo expulso pelo seu corpo em pequenas tossidas curtas e silenciosas, embora adorasse essa época do ano, sentia que o frio de fora não se equiparava ao frio interior, o frio que a sua alma sentia e já desistia de tentar lutar contra.

Seus cabelos negros e de um comprimento considerável, cobriam parte do seu rosto a medida que ele se encolhia para tentar se aquecer aos pés do velho carvalho, inutilmente. Logo em seguida lançara um olhar em frente calmo e frio, um olhar vazio e opaco que representava as noites sem sono, os dias solitários, as dores sentidas e o silêncio que estava sempre presente em si. Ele não sabia o que fazer de sua vida ou o que pensar, já tinha lutado inúmeras batalhas por ideais e outras mais por amor, amizade e sentimentos que pensara valer a pena, mas no fim, terminava sempre sozinho. E dessa vez pra valer.

O silêncio mergulhava pela cidade e nadava livremente entre as ruas escuras e outras pouco iluminadas, a cidade estava imersa numa neblina suave que parecia uma cortina quase que transparente, e ninguém se atrevia a quebrar a serenidade de tal momento. A contemplação do silêncio é algo introspectivo e pessoal, mas naquele dia, o silêncio e a introspecção haviam tomado conta da cidade e abraçado friamente o jovem que sempre os acompanhou. Ali, ele estava sozinho… Mas estava, ao menos, acompanhado da sua própria solidão. O vento soprava calmamente notas de músicas esquecidas que soavam de certa forma, fantasmagóricas na ocasião…Mas isso não mudava nada, nem o assustava. O jovem então levantou-se e caminhou serenamente dentre a neblina, procurando em vão por alguma companhia, mas tudo o que encontrava era um ambiente congelado como se o tempo tivesse parado naquela madrugada e nunca mais voltado. Foi então que resolveu aceitar sua condição e decidiu viver numa cidade sem pessoas, sem sentimentos e sem problemas.

Embora ninguém existisse de verdade ali, ele podia ver suas memórias, amigos e até mesmo a única pessoa que amou de verdade… Eles não eram reais, não estavam vivos nesse mundo e não podiam conversar com ele, mas ele sabia que se olhasse para o lado em busca de um olhar familiar, poderia pelo menos ter uma chance de ver aqueles que foram um dia importante para ele. E assim, esquecido como uma memória antiga, ele vagava furtivamente pela noite. Ele era o vapor que cobria as ruas, a sombra que dançava contra as luzes, o olhar que buscava repouso, a existência esquecida

Rain

Postado em Minha mente doente com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 22/11/2010 por K.

Verão nunca foi a minha época preferida do ano, tudo é quente demais, claro demais, irritante demais e feliz demais. Acho que a única parte que gosto mesmo são os dias chuvosos que aparecem do nada, ao contrário do inverno, que seca tudo num tempo anêmico e indiferente à todos. Divagava uma vez com um sábio amigo sobre o efeito do clima e época do ano no comportamento das pessoas, lembro-me bem dos fatos apontarem que durante o inverno as pessoas ficavam mais caladas, serenas, pensativas e introvertidas seja pelo frio ou pelo céu pálido… Já no verão era notável a explosão dos hormônios, vontades, risadas, sorrisos, bom-humor e poucas roupas nas pessoas. Eu particularmente prefiro o inverno, tem menos falsidade estampada nas caras das pessoas e mais sinceridade no olhar.

Ouvia a chuva do lado de fora de sua casa, era uma noite de temperatura amena, fria o suficiente para ter um aspecto de dia de inverno mas quente o suficiente para trazer as pancadas de chuva típicas do verão. Recostado sobre sua janela ele olhava o cair das gotas de chuva sobre o vidro embaçado, elas escorriam lentamente no começo sem a menor pressa de mudar de forma, mas a partir de certo ponto não poderiam se ajudar a não ser aceitar as pernas que criaram e correr com toda a velocidade que podiam para o fim da plataforma transparente. Tempos assim traziam-lhe memórias à tona, ah as memórias… Fragmentos de nossas ações e situações que muitas vezes queremos esquecer ou simplesmente deixá-las guardadas num lugar onde ninguém mais vai ter acesso, a não ser você mesmo. Era difícil ter controle sobre elas, sempre havia algo que quando olhava era remetido à alguma lembrança.

Perguntava-se o porquê não conseguia mais sentir nada, enquanto lembrava-se de sua infância tão distante e desfocada era remetido a sentimentos de saudade e certa forma ternura por lembrar daquele garoto inocente e livre dos conhecimentos dolorosos da vida.  Eram tempos em que sorrisos eram comuns, gargalhadas com os amigos eram preciosas e praticamente nada poderia abalar o bom humor diário. Mas tudo acaba mudando, ainda perguntava-se o porquê não sentia nada…Nem mesmo a dor intensa que passou durante sua adolescência e que iria transformá-lo para sempre em uma pessoa totalmente diferente do que era, até o ponto em que se acostumaria com as coisas ruins e viveria somente por viver, sem achar uma razão ou vontade para tal coisa.

Seria essa uma terceira fase do processo? As coisas eram tão escuras e confusas… Seu corpo sentia cansaço extremo, preguiça e dificuldade para executar qualquer função natural, enquanto sua mente (ou o que restou) tinha dificuldade para armazenar memórias recentes e achar graça nas piadas que faziam todos no salão rirem. Seu interior, vazio… Não era capaz de sentir felicidade, tristeza, ódio, nojo, ternura ou amor… Apenas conseguia sentir que queria sentir algo, mas nada parecia se manifestar como se tudo dentro de si mesmo houvesse sido estrangulado por vontade própria com o passar do tempo. Era esse o fim da linha?

Em silêncio, ele aguarda por alguma resposta sem saber como agir ou seguir… Apenas deixando o dia-dia levá-lo na medida em que conseguir.  Tinha vontade de mudar sua vida mas não via portas abertas nem métodos para fazer seu próprio caminho.

São tempos difíceis.

A Whitered Flower

Postado em Abismo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 15/07/2010 por K.

Numa noite qualquer dessas de inverno meus pensamentos acabaram me levando por uma longa estrada de reflexões e lembranças mais uma vez, acho que isso é uma das coisas que mais gosto no inverno, esse tipo de coisa flui tão naturalmente que é de certa forma agradável. Os primeiros dias desse mês foram ensolarados mas ainda um pouco frios, um pouco ao inverso do que eu geralmente espero pra um “inverno ideal”, mas por sorte os dias tem mudado recentemente, adquirindo aquele aspecto pálido e sem muitas cores vibrantes, um frio mais intenso que o normal trazido pelos sopros de vento serenos que enfraquecem até as pessoas mais resistentes. Não sei por que gosto de dias assim, as pessoas dizem que são dias tristes, chatos e entediantes…Eu não acho que sejam isso, eles podem ser entediantes e chatos se você quiser, por que afinal é mais um dia como outro e quem faz ser entediante ou não são suas ações.

Gosto de me sentar no quintal quando é mais de meia-noite, o frio apesar de mais rigoroso não me incomoda tanto e a vista do céu vermelho – ah, esse céu vermelho - faz as coisas valerem a pena. Refletido na escuridão de meus olhos essa estranha cor é capaz de aflorar muitos pensamentos, alterar comportamento e te fazer parar um pouco de viver no “modo automático” para fazer um balanço de como sua vida está agora ou o que vai ser dela. Essa época…ah, me lembro alguns acontecimentos que marcaram certos pontos da minha vida nesse período, ainda lembro claramente da maioria embora eu ache que as pessoas que estavam envolvidas nesses cenários já tenham se esquecido de mim.

Deitado em minha cama olhando para o teto apenas iluminado com poucos fiapos de luz vindo da máquina que toma conta de nossas vidas, me perco tentando achar um sentido pra minha vida naquele momento, em momentos passados e talvez no futuro também, mas raramente chego a uma conclusão. Embalado pelas tristes músicas que acompanharam minha vida em muitos outros momentos, apenas tento encontrar uma posição confortável pra deixar que minha mente pegue em minha mão e leve-me através do que ela queira me mostrar, seja lá o que for. É um pouco difícil nesses momentos lutar contra o sono, parte de mim quer se manter acordado para pensar e novamente reafirmar o que minha vida se tornou e como posso melhorá-la, mas também, parte de mim deseja desesperadamente dormir a todas as chances disponíveis pra me desligar da realidade e sofrer menos.

As vezes inconscientemente me vejo abrindo as velhas gavetas de minha escrivaninha e pegando desde pequenos envelopes até grandes caixas amarelas de correspondência para reler e me perguntar: “Onde exatamente eu errei pras coisas ficarem do jeito que estão?” mas essa é só mais uma de várias questões que ecoam eternamente por minha mente e provavelmente não vão encontrar suas respostas. É incrível receber uma carta de quem você gosta e quer bem, mais incrível ainda é ler naqueles momentos em que você se sente desolado e só…De certa forma, a pessoa que pode nunca ter estado perto de você ficará um pouco mais próxima pra aquecer o seu mundo gelado.

Incrível também é ler cartas naqueles momentos em que você se sente desolado e só mas sabe que essa pessoa provavelmente já te esqueceu ou arranjou um substituto pra você na vida dela. As coisas mudam, e mudam muito rápido, quanto você menos esperar as coisas dão uma volta completa te deixando desnorteado e acertando-o diretamente na cabeça a ponto de cair inconsciente ou pelo menos com uma baita dor de cabeça. Me pergunto, de todas as cartas que já mandei até hoje para pessoas que considerei importantes na minha vida, quantas delas ainda olham aquelas letras jogadas num papel velho? Quantas se lembram das conversas, momentos, promessas, desejos e sonhos que compartilhamos? Não gosto de pensar em quantidades por que tenho certeza que são poucas, se não quase nulas.

Eu gosto do inverno, eu gosto do mês de julho…É bom ficar descansado e dormir, dormir pra sonhar e não ter hora pra se libertar disso. A quantidade de sonhos que chego a ter numa noite as vezes é surpreendente, muitos envolvem várias pessoas marcantes na minha vida, como eu queria que elas ainda estivessem por perto e sentissem aquele mesmo carinho de antes…Mas esse é um desejo egoísta de minha parte, não posso forçar as pessoas a voltar atrás de tudo e sentirem o que sentiam antes. As coisas mudam, e mudam rápido, como já disse.  Acho que se eu bebesse, provavelmente teria consumido muitas coisas pra tentar amenizar que esses sentimentos aflorassem…Mas chego a conclusão que não preciso disso, tantas coisas aconteceram e tantos problemas me acertaram de frente que eu não consigo mais sentir aquela mesma agonia de antes, é como se os ferimentos tivessem cicatrizado e agora qualquer outro golpe apenas faça um leve hematoma. Eu só não vou conseguir segurar o manto que cobre tantas cicatrizes por muito tempo, será que quando ele cair e as pessoas verem como me sinto as coisas vão mudar?

Não quero pena, não quero esmolas nem caridade…Só queria que me entendessem e não fossem embora todas as vezes.

É, eu sei que não tenho mais postado com tanta frequência…Se alguém ainda lê todas as baboseiras que escrevo aqui provavelmente deve ter percebido os intervalos mais frequentes entre os dias dos textos. Não estou deixando de lado isso, mas é que ultimamente tenho tentado tirar um pouco de férias de tudo, todos e de mim mesmo. Eu não sei exatamente quem é você, o que faz, há quanto tempo lê esse monte de coisas sem sentido que escrevo mas, obrigado, de qualquer forma.

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