Sabe, normalmente você que entraria aqui estaria preparado psicologicamente pra ler um texto repleto de paranóias, pesares e experiências negativas que refletem a alma humana e a condição na qual os muitos personagens retratados anteriormente vivem. Mas dessa vez abrirei espaço pra algo diferente, não digo que é algo que eu farei sempre pois prefiro ver esse espaço como um lado distante da minha mente na qual eu sempre visito e converso com meus próprios fantasmas. Acredito que da mesma forma que foi retratado a sensação de pesar e perda, devo compartilhar a primeira experiência em tempos, do oposto à isso tudo.
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Por muito tempo acreditei que viver nas trevas seria minha sentença e meu julgamento, talvez não tenha errado por si próprio ao pensar nisso, mas com toda certeza vi e acredito que existem caminhos levemente mais iluminados e menos dolorosos nessa grande caminhada que vocês acompanham desde o início da abertura física de tal espaço da minha mente, ou seja, desde que minhas experiências estão sendo retratadas aqui. Essencialmente eu vejo as sombras como parte de mim e do que sou, não há como negar o passado e simplesmente esquecer tudo só por que agora a maré parecia estar mudando um pouco, o que aconteceu, aconteceu. Aceitar e entender o defeito ambulante que somos, é uma tarefa árdua e praticamente impossível, mas aparentemente terei que citar o clichê aqui: idade e experiências subjetivas influenciam muito na nossa visão sobre conceitos e experiências anteriormente vividas ou que serão possivelmente vivenciadas.
Talvez o contraste entre minhas palavras agora e as de textos anteriores seja gigante, mas assim como meus próprios demônios, fantasmas e personalidades, eu estou em constante mudança e é um processo natural, lento e que acontece inevitavelmente com todos os seres humanos deste planeta. Essa mudança é quase imperceptível e geralmente só pode ser vista por terceiros, que te julgarão comparando a forma que você agia antes com a que você age agora. Nesse processo de mudança, há uma intrínseca e turbulenta luta de valores e pensamentos que se contrariavam anteriormente…Pensamentos que pareciam dolorosos e distantes tornam-se mais próximos quando você menos espera e assim, ao invés de ver um campo negro de flores mortas, sua mente começa a dar lugar para ventos que carregam as pétalas mortas pra longe e dão espaço para o alvorecer de novos ambientes e sonhos. A verdade é que todos sofremos por diversos motivos, todos temos nosso mundo de sombras na qual nos escondemos quando algo ruim acontece e ali experienciamos a mais profunda das tristezas ou inquietações…Afundar nas sombras e prender a respiração pra explorar o mar rubro de pesares é algo bom de se fazer, cresce o espírito e fortalece sua vontade interior pra futuros problemas.
Entretanto, ficar por muito tempo nesse mesmo mar pode acarretar problemas e abrir fendas com o passado na qual fazem com que velhos ferimentos sangrem novamente. O que quero dizer é que a vida que vivemos é feita essencialmente por decepções e tristezas, sim, isso pode soar um tanto quanto pessimista e existencialista… Mas querendo ou não, é a forma com a qual aprendi a ver o mundo e não creio que vendo de outra forma – talvez mais superficial e despreocupada – eu acreditaria menos nessa teoria. Mesmo caminhando por sombras e vendo acidentes nucleares que devastaram cidades inteiras, vale a pena manter viva aquela esperança de que um pequeno rastro de luz nos aguarda em algum lugar para guiar-nos pra um rumo diferente. Vindo de mim isso chega até a ser engraçado…e hipócrita. Mas acontecimentos recentes me fizeram acreditar em tais fatos.
Felicidade é um conceito muito abstrato e distante pra mim, nunca cheguei a experimentar sua plenitude como tantas pessoas dizem ter vivido ou presenciado… Honestamente acho que dizer “estou feliz” é tão forte quanto dizer “eu te amo” para alguém, você precisa estar certo de seus sentimentos e estar muito bem equilibrado pra não se arrepender de ter dito tais coisas, pois no futuro elas pesam ou como palavras-chave pra um desenrolar ou viram somente carapaças cheias de ar que nunca demonstraram nada de valor.
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Visions of a different Reality #2:
O frio me envolvia profundamente e eu podia ver minha própria respiração há poucos centímetros de distância do meu rosto, esvaecendo no nada como uma alma em busca de ajuda pra achar seu descanso. Foi então quando a vi, seus belos cabelos negros dançavam pelo ar enquanto ela se aproximava com a face abaixada e um olhar tímido ostentado por certo medo e receio se aquilo era certo ou não. Minhas mãos tremiam e por dentro eu gritava por socorro, queria fugir daquele lugar e correr até onde minhas pernas me levassem, mas ao mesmo tempo nunca desejei tanto que o tempo parasse eu pudesse reviver aquele momento de novo e de novo só para reafirmar sua primeira imagem na minha mente, a primeira e bela imagem que tive do seu sorriso altamente escondido, mas não menos belo por isso.
Ao ouvir sua voz pessoalmente senti como se a caverna de gelo que envolvia minha alma fosse derretendo pouco a pouco e cada vez mais me fizesse querer estender a duração daquela noite só pra ficar mais tempo perto dela. Seu abraço me fez sentir segurança e conforto como meu corpo clamava há meses e anos atrás, finalmente teria eu conseguido alcançar o que sempre quis? As horas voavam e a espiral de chamas que percorria meu corpo foi se acalmando ao ponto de tornar-se uma leve e agradável sensação de estabilidade e calmaria. Aquele mesmo corpo que antes havia morrido inúmeras vezes pedindo pelo fim da solidão estava finalmente em paz e eu conseguia traçar um sorriso de verdade na qual eu poderia deixar minha máscara de batalha ao lado, e assim, ser quem sou sem medo de precisar de uma aprovação externa.
Atrás daquela delicada pele branca feito a neve e um olhar perdido nas luzes da noite, eu sabia que também havia alguém que tinha sofrido bastante e conhecia o caminho das sombras tão bem quanto eu, mas isso era somente mais um motivo pra eu abraçá-la mais forte e não querer soltá-la mais. Para evitar que as sombras se aproximassem de novo – tanto dela quanto de mim – eu prometi não deixá-la sozinha, e assim fechei meus olhos sorrindo verdadeiramente após um longo tempo de dormência esperando por tal sensação.
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Por mais difícil que seja o caminho que escolhemos, é necessário ir até o fim pra descobrir o desfecho ou ver novas rotas. Voltar ou ficar parado no mesmo lugar só confirma nossos próprios erros e problemas, é por isso que sigo agora em uma direção diferente…Não sei onde vou chegar nem como vou terminar, mas sei que estou em boa companhia, e independente do desfecho final, agradeço-a por me fazer sentir vivo novamente depois de tanto tempo.