Arquivo de mulheres

Sleeping Beauty

Postado em O Mundo Paralelo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 29/07/2011 por K.

Eu procuro por palavras para dizer-lhe enquanto você adormece
Com asas de vidro e uma voz distorcida
Eu prometo à você, que por mais frágil como eu sou, eu continuarei vivendo
Com uma prece para que o amanhã nunca chegue para nós

O quão assustada você estava enquanto estávamos separados?
Meu dedos tocavam suas lágrimas de desolação

Nós escondemos nosso amor e ficamos longe de tudo,
Casualmente nós demos as nossas costas e ficando lado-a-lado, nos sentíamos insatisfeitos com a realidade
Eu senti tanto o significado disso, que fui tomado por uma imensa dor
Vejo suas mãos distantes de mim, finas e solitárias

Nossas cartas estão jogadas, a espera pela primavera
Nesta cama que você não aparenta querer deixar,
E assim, uma nova memória é adicionada em mim.

Love Hurts

Postado em Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/06/2011 por K.

Chovia bastante e o vento uivava através da janela rasgando o silêncio que se instalava naquela sala vazia e escura, ali estava ele mais uma vez jogado em sua cama com seus pensamentos, dúvidas e divagações sobre a vida.  A melancolia dançava a sua volta enquanto seus pensamentos embaçados o guiavam dentre a noite, pensamentos que levavam-o ao passado e num futuro que nunca existiu… Sensações e pessoas que poderiam ter existido mas que não aconteceram, situações e momentos da vida que poderiam ter sido melhores mas não chegaram nem perto de existir verdadeiramente. Perguntava-se o por quê de sofrer tanto por sentimentos e situações que ainda nem tinham acontecido mas pareciam existir, na sua mente…. O mar de ilusões o afogava em volta da sua cama a medida que mãos negras puxavam seu corpo pra baixo num mar escuro de pesares onde o único feixe de luz estava extremamente distante e cada vez mais fraco.

Lembrara da cidade em que viveu e dos poucos bons momentos que teve, eram poucos mas ainda valiam a pena serem lembrados. Percorria toda sua história em busca de uma linha em específico ou um trecho que tivesse desvirtuado tudo, mas não encontrava tais evidências! Onde em sua vida ele teria realmente errado? Era triste pensar que haviam tão poucas pessoas na sua vida e menos ainda as que se importavam com ele de verdade, a cada dia sentia-se mais sozinho e com menos vontade de acordar num dia após o outro… Qual era o propósito de viver? Ninguém sabe o motivo da existência, ninguém tem uma resposta pra felicidade, ninguém sabe qual o real sentido de tudo… Tudo é sofrimento, a essência humana é movida por turbilhões negros de desolação que se alimentam de mentes desocupadas. Era o que ele se perguntava e nunca tinha respostas.

Por mais que tudo fosse difícil e estúpido, as vezes somente a morte parecia ser a solução de tudo… Mas morrer não responde nada nem resolveria seus questionamentos, morrer só prova o quão vazio somos e o quão susceptíveis estamos em relação a decepções e dificuldades impostas pela realidade. Morrer é afirmar o fracasso e aceitar nossa essência: o vazio. Somos preenchidos diariamente por pensamentos e emoções que lavam nossa mente e corpo através de diversas reações que nos fazem agir de formas diferentes, mas no fundo das engrenagens humanas existe um grande espaço negro e vazio com uma peça faltando. Essa peça é subjetiva e particular de cada indivíduo, cada um sente a falta e o vazio por um motivo em especial, cada corpo perdeu parte da sua essência ao nascer e busca incansavelmente saciar essa sede indomável.

Seu corpo afundava cada vez mais no mar de decepções e solidão a medida que sua mente perdia a vida e capacidade de raciocínio lógico, dando lugar pra uma cachoeira de confusões e amores perdidos que rondavam seu coração solitário. Ele chorava e gritava por ajuda, pedindo só que alguém fosse capaz de estender uma mão e tirá-lo disso, mas ninguém ouvia. Ninguém queria ouvir. Era difícil alguém com conteúdo aparecer em sua vida pois as pessoas evitam outros indivíduos complexos e afogados em seus próprios desesperos, isso reflete o quão superficial e vazia a vida do ser humano é, e ninguém quer ver e lidar com isso.

É difícil lidar com pessoas profundas, as pessoas tem medo de se envolver e notar o quanto são miseráveis.

Mas as coisas poderiam mudar! Algumas poucas vezes se sentira amado e com esperanças, mas logo as esperanças tornaram-se frustrações e desespero pois as pessoas pareciam ter medo dele, medo de se envolver, medo de dar o passo inicial e de encarar o abismo que é amar alguém. Muitas pessoas não estão prontas pra isso, outras até estão mas evitam o primeiro contato para que ele seja adiado até o máximo possível.  Seus sonhos e doces ilusões se transformavam em facas que furavam seu coração já todo remendado por relações passadas, ele pedia pra que isso não acontecesse mas era automático…Amar alguém é estar disposto a sofrer por si e pelo outro, é abandonar o solo seguro e arriscar andar numa corda através de uma fossa abissal… É morrer e renascer todos os dias com a incerteza de que o outro ainda vai sentir o mesmo por você.

No fim, não haveria espaço pra ele… Ele temia que seria mais uma pessoa que iria soltar sua mão para afundar novamente no oceano de solidão, a cada dia que passava sentia mais isso… Mas tinha que continuar tentando…. era sua única opção. De certa forma, estava preparado pro pior e saberia que ia doer, mas não seria a primeira vez que teria se deixado levar por um sentimento e sofrido por isso.

E sozinho, ele anda.

Act II – Wayward Son

Postado em Abismo, Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 14/02/2011 por K.

There will be peace when you are done.

Mais uma época floresce na efemeridade que é a vida das pessoas, mais dias o sol nascerá, mais noites morrerão no silêncio, mais corações serão quebrados prematuramente e tudo o que o primeiro dia lhe traz é a brisa fria da manhã carregada de oportunidades e portas que poderão se abrir. A linha de sangue no horizonte tece o medo e a incerteza de mais um ano de vida. Expectativas são criadas, mas a realidade é sempre diferente, sempre.

Aquela manhã era diferente das outras, não havia sono, não havia tédio…Muito menos a formalidade do velho dia-dia que se repetia incessantemente como se cada dia fosse diferente, mas ao mesmo tempo, iguais uns aos outros.  O coração dele batia aceleradamente rumo a uma estrada desconhecida e cheia de silhuetas mal formadas que iriam definir seus próximos anos, ele não sabia o que sentir… Na verdade estava muito assustado e criando diversas expectativas, pobre garoto… Não sabia que mesmo mudando um pouco sua vida, não deveria confiar tanto em sua imaginação assim.  Resolveu então partir abordo daquele carro de sombras que parecia ser capaz de fazê-lo sonhar novamente, seriam esses sonhos outras expectativas que deveriam ser deixadas de lado?

Seu olhar perdia-se no horizonte observando o sol quebrar a escuridão com flechas de sangue que tingiam o céu numa mistura de cores confusa e misteriosa. Depois de muito tempo ele sentiu que havia acordado, estava dormente todo esse tempo, em coma de um profundo choque que um coração quebrado causou-lhe… Seria a nova chance de sentir-se querido por alguém o motivo de seu despertar? A dor interior começava a repousar no infinito do buraco negro que ele ostentava, enquanto uma crescente  vontade de mudar tomara conta de seu espírito e fazia-o agir com precisão e vontade.

Era hora de começar uma nova vida.

O dia passou voando numa velocidade incrível que fazia-lhe sentir que diversas horas tinham se perdido, mas os relógios diziam o contrário e o dia estava só começando. Milhares de pessoas reunidas com os mesmos interesses e vontades deixavam-lhe com uma sensação de estar seguro e com paz interior, claro que tudo isso mudaria algumas horas depois de deixar a nova cidade e olhar pro espelho, vendo quem realmente é…Mas o ponto é que pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu vivo! Mesmo no meio de estranhos, os estranhos também eram estranhos para os estranhos… Isso dava conforto e uma vontade de querer começar da forma certa, foi o que ele fez.

Suas expectativas não aconteceram, bom… Parte dela aconteceu, por um extremo e breve período. Nesse exato momento o contato mesmo que inocente, dócil e descompromissado o fez sentir seu coração pulsar mais forte e ter vontade de correr atrás. Esse pode ser um recomeço, mas ele ainda dividia suas noites com sombras e medos do passado que o atormentavam… talvez as ações e expectativas precoces o fizessem sentir isso. Era preciso calma, concentração e coragem pra conseguir o que ele queria.

E ele estava determinado a pelo menos lutar mais uma vez antes de cair na penumbra de seu eterno repouso.

(mais uma vez)

Portrait of Ruin

Postado em Minha mente doente com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 12/09/2010 por K.

De uma série antiga, de tempos passados mas ainda atuais que devem ser gravados em algum lugar.

Dor interior, sem fim, destruição da mente e a agonia interior que corrói esse corpo.

Seus gritos de socorro serão inúteis, ninguém vai entender o chamado daquele que sofre disso.

É mais uma noite que cai, mais estrelas morrem mas o brilho das mesmas continua vivo, mais esperanças que morrem e não voltam, mais sonhos despedaçados perto dos corações apaixonados.

Todos foram embora, como atores que passam pelos palcos de um velho espetáculo nostálgico e já conhecido por todos aqueles que viveram.

Atores, que entram e executam seus papéis, passam por atos, cenas, e depois simplesmente vão-se embora deixando um olhar saudoso naquele que sempre estará sentado ali, assistindo tudo se repetir…Sem poder mudar nada.

Será que algum dia alguém realmente vai entender o que se passa? Não é somente um espectador, houve vida ali, houve.

Mas o que há hoje? Talvez nada, um corpo vagante, vazio, vadio que tenta lutar e mudar de espetáculo, mas tudo vai em vão.

No fim, as cortinas se fecham, as luzes se apagam, os atores vão embora, o frio chega e ele ainda ali, sentado de forma estática sem brilho nos olhos, com a expressão que representa a brisa noturna de uma noite de julho.

E ele, ali…no fim…sozinho em seu próprio espetáculo onde a tragédia é o próprio ser.

28/07/2008

Waterfall

Postado em Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 31/08/2010 por K.

Caminhando em uma direção desconhecida suas pernas já doíam pedindo por um descanso ou um bom lugar para repousarem-se, mas ele não parou…Tinha que continuar não importando quanta dor sentisse ou quanto seu corpo e mente clamasse por um momento de descanso, não havia descanso, somente se ele desistisse de tudo.

Naqueles dias de inverno o calor era estranhamente intenso, deixando tudo um pouco fora do seu lugar original… A minha volta passavam pessoas com vidas arranjadas, problemas, vitórias, derrotas, sorrisos, lágrimas e expressões tensas. Até então vivi normalmente, sem me preocupar com o que o amanhã me traria ou sem pensar verdadeiramente nos meus maiores problemas que sempre me acompanharam e eu apenas fazia questão de não vê-los para não perder mais minha vontade de viver.  Dias de tempo seco, dia de vidas secas e sentimentos fragmentados, o ar era difícil de respirar e a doença se espalhava, mais difícil ainda era pra mim querer respirar nessa realidade distorcida. Eu sabia que era inevitável e uma hora o sentimento ia voltar, estranhamente esse sentimento sempre me visitava durante o período da noite, talvez fosse seu horário preferido de aparecer, não sei.

Dentro de mim a sombra que tomava conta de minhas veias e coração já tinha se instalado por completamente, eu tinha me acostumado com isso e aceitado minha própria escuridão, era complicado ver várias e várias pessoas unidas por um sentimento único que eu sempre almejei e para elas parecia tão simples de criar… Era eu o errado? Estaria eu querendo demais? Não… Sentado naquela cadeira velha por onde muitas outras pessoas passaram eu via a realidade acelerada, pessoas passando juntas pra lá e pra cá sem reparar na minha existência, felizes com suas próprias vidas e conquistas, o que é claro, é bom para elas. É frustrante viver num lugar onde as pessoas não fazem questão de falar com você ou não parecem fazer questão de notar que você existe, é mais frustrante ainda saber que elas te vêem e talvez até vejam como você se sente, mas ninguém faz questão de nada. Eu aceitei a minha escuridão… Mas quem estaria disposto a aceitar a minha escuridão também?

Não tinha mais forças para expulsar esse sentimento de dentro de mim por meios de lágrimas, gritos ou palavras – a essa altura tudo o que você lê por aqui (se lê) deve tornar-se bem repetitivo e cansativo, talvez seja melhor parar de me visitar, assim seu tempo será poupado - somente conseguia ser meu próprio prisioneiro na prisão da insanidade e aceitar essa dor me rasgando de fora a fora…novamente. Ficou pesado, chato, incômodo e deprimente sentir isso toda vez e por mais que tentasse mudar meu interior, não conseguia… Cheguei a invejar outras pessoas por encontrarem companheiras para desfrutar da vida, cheguei a invejar pessoas que não mereciam toda a atenção que tinham, cheguei a desejar aquele olhar sincero que as pessoas recebem quando estão olhando diretamente para quem se ama, sem mesmo dizer nada ou mudar a expressão pra felicidade ou tristeza, apenas aquele olhar que você entendia o que a alma da outra pessoa dizia… É difícil olhar para o lado e não ver ninguém, olhar para o espelho e encontrar seu próprio olhar vazio pedindo por um pouco de luz e cor, para sentir-se vivo novamente.

Eu não preciso exatamente de alguém que diga o que eu quero ouvir, não preciso de alguém para despejar sorrisos sobre mim a todo o momento, não preciso de que fale comigo sobre tudo e todos para que o silêncio não aconteça…Preciso de alguém que consiga ver a penumbra que me envolve e aceite-a, decidida a buscar um caminho juntos pelo desconhecido, talvez esse tipo de leitura não agrade você que esteja aí do outro lado com sua vida ajeitada e nem tantos problemas pra se preocupar, mas às vezes não dá para mascarar o que se sente.

Naquele momento em que eu caminhava e meu corpo pedia por descanso eu lembrei que se parasse de andar, seria pra desistir completamente, e uma vez que tentei isso não deu muito certo sendo assim mais frustrante do que andar adiante, então ignorei meus limites e todos os avisos, continuando. Não sei exatamente qual é o problema comigo, talvez eu não encontre ninguém para me aceitar por mais que eu tente, talvez eu já tenha encontrado e não vi, somente o que consigo sentir agora é que nada vai dar certo e queria que tudo acabasse para me livrar desse peso.

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