Arquivo de música ambiente

The Farthest Land

Postado em Minha mente doente, O Mundo Paralelo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 01/10/2010 por K.

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Acordei naquela manhã com os raios de luz me atingindo a face entre as folhas da grande árvore a qual me recostava, tinha adormecido ali e nem me dera conta. As planícies eram grandes e verdes, o sol brilhava de forma abafada atrás das milhares de nuvens brancas que cobriam todo o lugar, parecia um tempo triste mas ao mesmo tempo podíamos sentir que o sol estava ali, o branco das nuvens se arrastava pelo céu suavemente me lembrando dos tempos de infância, carregando consigo memórias que pensei já ter apagado de minha mente há muito tempo. Levantei-me com um olhar preguiçoso em direção a aquela paisagem, minha mente me dizia que eu precisava continuar…Mas meu coração me pedia pra parar pois eu só estava me ferindo cada vez mais ao continuar minha jornada.

Enquanto caminhava lentamente por aquele solo macio, minha mente se dispersou nos passos vagarosos que eu executava sem perceber, sonhava acordado em poder voltar para aquele templo e poder revê-la acordada, com seus lindos olhos esverdeados que me encantaram desde a primeira vez que havia visto-a. O peso de minhas armas para enfrentar as sombras de minha própria vida eram pesadas e incômodas, mas o maior peso que se arrastava comigo era a triste realidade de que eu não queria aceitar a verdade, que ela poderia nunca mais acordar e eu estaria fadado a viver pra sempre com essa estranha sensação de nó dentro de minha garganta e algo puxando minha face para baixo, juntamente com o meu coração já diminuído pela penumbra da insegurança. Passei por colinas, grandes pontes de pedra que separavam penhascos e rios sem mesmo perceber, meu pensamento só conseguia ficar ao seu lado enquanto a determinação e vontade de mudar o destino queimavam dentro de minha alma, gritando por justiça.

As flautas tocavam ao longe uma canção triste que me acompanhava sempre em pensamento, uma flauta que me fazia questionar o que minha vida havia se tornado… Há meses abandonei minha terra natal em busca da felicidade ao lado da mulher que amo, mas por que o destino novamente interveio roubando de mim o que eu mais estimava? O vento gelado movia minhas poucas vestimentas feitas de pano leve mas penetrando suavemente sob minha pele já enrijecida pelo rigor de minhas árduas tarefas, não me incomodava mais com o frio, era o menor de meus problemas. Depois de horas de viagem parei para descansar ao lado de outra árvore, essa na encosta de um rio que tinha águas negras que fluíam incessantemente para longe, o céu continuava nublado e ao fechar meus olhos vi vários espectros ao meu redor, um a um indo embora…O que minha vida havia se tornado? Eu ainda estava me perguntando, não soube responder pois era algo que não creio ter uma resposta, apenas relembrei a dor de todos me deixando mais uma vez… Grandes amigos, parentes e companheiros sendo esses animais ou não, olhavam para mim com um sorriso saudoso e triste parecendo que queriam ficar mais tempo ali, mas sempre viravam as costas e caminhavam para longe desaparecendo. Senti vontade de desabar em lágrimas muitas vezes, mas as constantes decepções que vinham acontecendo de certa forma impedem que isso volte a ocorrer, é como se houvesse uma máscara de pedra atrás de minha face humana que secava todas as lágrimas antes mesmo delas conseguirem sair…Eu consigo senti-las, mas não consigo expressá-las. Talvez seja uma das piores coisas em viajar sozinho, acabo pensando demais e isso sempre acontece, é terrível sentir vontade de gritar e expressar o quanto você sente-se desolado e abandonado mas não poder por que ninguém parece te entender e ver como as coisas são pra arranjarem uma solução. Ou se vêem, apenas assistem de braços cruzados sem fazer nada. Não sou do tipo que depende da ajuda de terceiros para tudo, mas não fomos feitos para agüentar o peso de tudo sozinhos.

Minhas constantes batalhas contra as sombras que prometiam trazê-la de volta para mim ficavam cada vez mais difíceis, cada vez mais eu me sentia fadigado e envolvido pela escuridão que eu derrotava. Havia um meio de derrotá-las de verdade? Talvez houvesse, mas no fim não há como apagar a escuridão que vive em nós sem uma luz externa.  Minha viagem parecia demorar a chegar ao fim, cada vez mais me distanciava do templo em que havia deixado-a, ainda lembrava de seu vestido branco e a face delicadamente desenhada com traços suaves e uma expressão doce, seu cabelo liso e negro balançava com o constante vento do templo, tentei deixá-la no lugar mais confortável possível e me despedi naquela tarde vendo sua face mergulhada em serenidade e sono, um sono que eu não sabia se ela iria acordar…Mas eu faria de tudo para resgatá-la.

Minha viagem parecia estar se refletindo numa visão geral do que minha vida havia se transformado, a partir do momento em que decidi fugir daqueles que me faziam mal vi minha vida novamente se escurecendo e ficando solitária…Talvez fosse uma maldição que eu estava encarregado de levar, no fim por maior o esforço que eu tinha feito, estaria sempre condenado a solidão. Esse pensamento sempre predominou dentro de mim, mas desde que ela apareceu com seu sorriso doce e aquele olhar profundo que parecia ver diretamente minha alma acovardada, tudo mudou. Era como se uma porta de esperança e luz branca espiralada me envolvesse, deixando-me mais leve e preparado para qualquer coisa que fosse enfrentar, por que eu sabia que não estava mais sozinho.

Mas, eu deveria saber que isso estava com o tempo contado também.

Pouco a pouco adoeci à medida que venci as sombras e me aproximava cada vez mais de meu objetivo final e assim finalmente voltar para o templo pra revê-la. Os últimos dias foram tensos, as montanhas ficavam cada vez mais difíceis de subir e o tempo fechou-se numa constante chuva de tristeza que escorria por meus cabelos já fracos e desgastados, comecei a pensar que não conseguiria terminar minha jornada e apagar a última sombra restante mas depois de uma intensa disputa e muitas tentativas, venci. Entretanto, fui abatido no processo e perdi a consciência da realidade em que estava.

Só consigo me lembrar de estar numa incrível paz interna, flutuava através de uma luz dourada que envolvia meu corpo puxando-me lentamente para baixo enquanto meus braços e pernas se abriam envolvidos pelas espirais brancas que curavam meus ferimentos já infeccionados. Eu sentia que ela estava perto de mim, não conseguia vê-la mas eu sabia que ela estava ali, me guiando. Aos poucos aceitei a luz e me deixei adormecer em seus braços. Quando acordei novamente estava ao seu lado, no templo, não sabia como havia chego ali, só senti que minha missão estava cumprida ao poder ver seu rosto novamente e para minha surpresa ela abriu os olhos piscando preguiçosamente e esboçando um sorriso que meu corpo e mente necessitavam ver a muito tempo para sentirem-se bem. Sentia-me com uma febre intensa e meu corpo doía muito, mas eu não ligava pra nenhum desses sintomas há tempos pois tudo seria compensado se ela estivesse bem. Talvez eu tenha errado aí, foi quando senti meu corpo me dragando para trás e caindo no chão de costas, derrotado e sentindo as mesmas sombras que havia matado antes, me consumirem num mar negro depressivo onde meus gritos eram inaudíveis, não pude ver seu rosto com isso pois afundei rápido demais, apenas tentei esticar minha mão na direção dela para me salvar…Mas era tarde demais, minha escuridão havia me afastado daquilo que eu mais amava também. Tiraram-me tudo, todos e me largaram em terras sem lei abandonado a própria sorte, quando as coisas mudaram, tirei tudo de mim mesmo novamente sem consciência do que estava fazendo…Sombras sempre irão existir, dentro ou fora de nós.

Eu não sei o que é real e o que não é, meus pensamentos, sonhos e perspectivas se confundem em um meio distorcendo o que eu conheço como “realidade”, tive sonhos em que finalmente estávamos juntos, sonhos em que ainda viajava, sonhos em que tudo estava perdido e delírios noturnos acometidos por crises da doença. Minha alma se perdeu em diversos planos para ser guiada por emoções livres que não vivem sob a pressão e contenção humana.

Portrait of Ruin

Postado em Minha mente doente com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 12/09/2010 por K.

De uma série antiga, de tempos passados mas ainda atuais que devem ser gravados em algum lugar.

Dor interior, sem fim, destruição da mente e a agonia interior que corrói esse corpo.

Seus gritos de socorro serão inúteis, ninguém vai entender o chamado daquele que sofre disso.

É mais uma noite que cai, mais estrelas morrem mas o brilho das mesmas continua vivo, mais esperanças que morrem e não voltam, mais sonhos despedaçados perto dos corações apaixonados.

Todos foram embora, como atores que passam pelos palcos de um velho espetáculo nostálgico e já conhecido por todos aqueles que viveram.

Atores, que entram e executam seus papéis, passam por atos, cenas, e depois simplesmente vão-se embora deixando um olhar saudoso naquele que sempre estará sentado ali, assistindo tudo se repetir…Sem poder mudar nada.

Será que algum dia alguém realmente vai entender o que se passa? Não é somente um espectador, houve vida ali, houve.

Mas o que há hoje? Talvez nada, um corpo vagante, vazio, vadio que tenta lutar e mudar de espetáculo, mas tudo vai em vão.

No fim, as cortinas se fecham, as luzes se apagam, os atores vão embora, o frio chega e ele ainda ali, sentado de forma estática sem brilho nos olhos, com a expressão que representa a brisa noturna de uma noite de julho.

E ele, ali…no fim…sozinho em seu próprio espetáculo onde a tragédia é o próprio ser.

28/07/2008

Upper Region

Postado em Abismo, Minha mente doente, O Mundo Paralelo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/09/2010 por K.

Logo pela manhã quando abri minha janela notei o bater das asas dos pássaros voando para longe, juntos em uma flecha negra pelo céu acinzentado, o mesmo céu que eu senti falta nos últimos meses já que todos os dias calmos e desolados assim pareciam ter evaporado para muito longe sem previsão de voltar. Arrumei-me querendo sair de casa para contemplar um pouco do dia e talvez quem sabe encontrar alguém que pudesse compartilhar do mesmo sentimento comigo.  Embora em vão, caminhei sozinho pelas ruas cobertas sutilmente por uma névoa branca e preguiçosa que traziam consigo um frio que me abraçava constantemente… Não havia ninguém pelas ruas, não me incomodei muito com isso pois já estava acostumado com tal fato, foi quando decidi me aproximar daquela grande ponte e sentar-me na beirada com as pernas suspensas no ar apenas tendo a minha força de vontade me segurando.

Com um jeito sonolento começava a chover, pingos caindo sem pressa do céu branco até atingirem o chão com tamanha tristeza daqueles que não queriam voltar a ver essas terras, terras que lembravam de dores antigas..Terras que carregavam o passado consigo a cada esquina de suas ruas. Não me importei muito em ser atingido pela chuva, de todos os fantasmas que vagavam por minha mente naquele momento, uma chuva era a última coisa que iria me incomodar. Logo em seguida ouvi o bater dos longínquos sinos da catedral que ecoava pela cidade adormecida pelo manto nebuloso que a cobria, lembrei-me de “aventuras” passadas e lugares que nunca tinha visitado antes sem ser pela companhia dela que já não estava mais comigo, sob minha face levemente inclinada para baixo observando o fim da estrada em baixo da ponte, escorriam gotas de chuva que umedeciam meu cabelo lentamente e caiam novamente num penhasco de solidão até chocarem-se contra o chão.

Eu não via ninguém pelas ruas, tudo estava na mais completa paz mas eu sabia que de algum modo em alguma realidade que não era a minha, muitas pessoas passavam por ali embaladas em seus casacos confortáveis e um guarda-chuva negro que as protegia da lamentação da natureza. Mas isso não me importava, a partir do momento que a realidade em que elas viviam era diferente da minha foi o suficiente para eu não vê-las e elas não me verem mais, éramos fantasmas em dimensões paralelas que só podiam ver a silhueta dos mesmos, mas nunca se entenderem de verdade.  O vento frio mudava de direção com freqüência carregando a chuva consigo feito um laço de tecido sem cor que brincava na mão de uma criança deslumbrando-se com as maravilhas da energia eólica, a mim apenas restava emergir em meus pensamentos em busca de algo que eu não sabia; uma solução para os meus problemas? Uma solução para o meu ócio? Novamente, eu não sabia ao certo, só entendi que deveria tomar alguma atitude…Mas não agora, há tempos em que precisamos tirar um dia para nós mesmos e descansar de tudo, todos, até mesmo de nós.

Meu sobretudo negro, já encharcado ficava cada vez mais pesado como se eu carregasse uma âncora comigo, mas eu sabia que não era um peso qualquer, era o peso de ter perdido sopros de vida que me acompanhavam… Parecia que tudo estava fadado a terminar cedo em relação a mim, como se asas negras de morte me acompanhassem. Olhei para minhas mãos dentro de luvas escuras procurando alguma salvação, só consegui ter lembranças de um passado recente que ainda me atormentava…Eu queria esquecer mas ao mesmo tempo não podia, era parte de minha vida e por mais que negasse, consegui-me sentir vivo naquele tempo.

A chuva continuava a cair de forma impiedosa e aos poucos senti mãos frias e delicadas abraçando-me, envolvendo minhas costas até as duas mãos espectrais se encontrarem em meu peito, tinha um toque delicado e suave que eu reconhecia mas não imaginaria que era possível, sua voz doce ecoou por minha mente lembrando dos momentos que passamos juntos, os bons e os maus (seria ela? não…eu devo estar ficando louco, minha mente não é mais a mesma). Quis dizer para mim mesmo que aquilo era irreal e que o abraço que eu tanto sentia falta era uma mera ilusão do meu corpo pedindo por calor…Mas não era, em algum lugar (talvez em uma dimensão diferente) eu senti sua presença próxima a mim novamente, não consegui fazer muito mais sem ser fechar meus olhos e repousar minha mão sobre a sua que parecia estar ali mas sumia lentamente com o cair da chuva, deixando somente comigo a saudade e uma foto levemente manchada pelas gotas da água.

(In)Feliz Aniversário

Postado em Abismo, Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 23/05/2010 por K.

Há momentos em que meus olhos pesam tanto que eu não consigo criar forças para abri-los e encarar nem que for a mera escuridão de meu quarto, simplesmente é um momento em que tudo flui mais lentamente, até mesmo a circulação sanguínea. Eu consigo sentir meu coração batendo mais pausadamente e a circulação caminhando preguiçosamente em meio a minhas veias, não há vontade para as pernas se moverem ou para as palavras saírem, tudo o que consigo é manter por alguns momentos os meus olhos abertos enquanto a noite empurra gentilmente minhas pálpebras para baixo como se fosse uma tentativa de me fazer sofrer menos.

Talvez isso fizesse algum sentido, a maior vontade do meu corpo era manter-se imóvel ali enquanto tudo repousava na penumbra calma e silenciosa e aos poucos deixar-me cair no abismo profundo e escuro no qual minha consciência se desprendia de meu corpo e eu não precisava pensar, abrir os olhos ou sentir nada…Meu corpo fazia isso pelo seu próprio bem, ele mais do que eu já estava cansado de lutar todos os dias pra ter forças pra levantar. Mas eu só não adormecia por que minha mente ainda se mantinha ligada à minha alma, inevitavelmente os pensamentos corriam por mim como crianças num dia de chuva, tentando se proteger em baixo de um lugar seguro.

É estranho parar pra pensar que tanto tempo se passou já desde que nasci, embora pra mim boa parte dos momentos da vida eram vividos somente naquele dia, pois no dia seguinte você acordaria no mesmo dia anterior e faria as mesmas coisas, esquecendo assim cada dia que viveu mas com a certeza que eles não seriam diferentes. Não divagarei sobre memórias ou acontecimentos passados nessa minha publicação, creio que vocês leitores já estão fartos disso e provavelmente visitam esse asilo cada vez menos por conta de minhas palavras perturbadas. De fato eu entendo, aqui dificilmente encontrarão coisas para se lembrar ou frases memoráveis a se guardar, mas uma coisa aqui está presente sempre: palavras jogadas que tentam expressar o dia-dia e os sentimentos deste corpo vagante que vos fala.

Seria um pouco comum eu falar também como as coisas andam chatas, paradas e cada vez piores dentro de minha mente…Mas acho que isso é algo perceptível em cada palavra minha, nada nunca muda afinal. Pela minha cabeça tudo é muito confuso agora, nunca liguei pra aniversários (não que esteja ligando pra esse) mas o conceito de tempo e tudo o que ele envolve fez-me parar pra pensar um pouco mais. Durante todo esse período muitas pessoas vieram e partiram, algumas deixaram suas marcas e outras ainda estão presentes com suas sombras nos corredores de minha casa. Quem diria que em um curto momento da minha vida uma ação iria virar totalmente de ponta cabeça meu jeito e assim vagar nesse corpo hoje.

O pôr-do-sol afundava no mar e eu estava sentado na beira daquele alto morro apenas observando perdido em meus pensamentos, o vento frio vinha do norte jogando meu espírito para trás no gramado. Era engraçado como eu me sentia fora de casa às vezes, mesmo que sozinho havia paisagens que me faziam pensar: “Como esse sentimento de nunca ter visto algo assim antes sempre prevalece em mim?” talvez por que eu havia me acostumado com aquele quarto escuro numa posição virada pra parede ou deitado olhando para o teto em noites solitárias. A verdade é que em poucos momentos até hoje me senti vivo de verdade por algum motivo que conseguisse esboçar um sorriso verdadeiro, eu havia optado por colar mais de uma máscara em cima da minha face original por proteção. Se eu não fizesse algo assim eu teria morrido na minha primeira queda, mas a vida se agachou próxima a mim dentro daquela sala escura e de cima do feixe de luz estendeu sua mão com várias facetas disponíveis, eu só precisava escolher alguma e usar para conseguir sobreviver.

Você não pode fugir de si mesmo.

Por mais que tentemos é impossível negar nossa essência e o que verdadeiramente somos, mais hora ou menos hora isso vai florescer e aí você não terá como se defender do mundo, por isso torça que esse tipo de coisa aconteça quando não houver ninguém perto…Afinal eles não entenderiam. Mas não se preocupe, da mesma forma que isso floresce também morre. E isso acontece tão rápido que você precisa tomar cuidado pra não esquecer como sua verdadeira face é, por que logo depois que sua essência morre momentaneamente somos obrigados a vestir as máscaras para continuar em frente.

Mentirosos aqueles que dizem que não atuam ou não usam máscaras, todos usamos…É algo inato de nossa natureza e feito justamente para criar essa estabilidade social e emocional entre as pessoas. No fim todos nós estamos sozinhos nesse mundo, não importa quantas pessoas especiais estejam perto de você ou o quanto você esteja sozinho…Tudo é sempre mais solitário do que pensas.

We’re born alone, we live alone, we die alone. Only through our love and friendship can we create the illusion for the moment that we’re not alone.

- Orson Welles

A semana inteira passa rapidamente, dias sempre tão corridos e demorados, tão agitados e preguiçosos, tão bons e tão ruins, tão simples e paradoxais…Nós simplesmente não vemos o tempo correr. Em muito em breve você para e respira pela primeira vez só se dando conta quando é tarde demais o quanto de sua vida foi perdido.  O relógio corre e volta muitas vezes, o dia nasce por uma luz esplêndida e morre banhado ao sangue laranja escorrendo pelo céu feito veias abertas, logo o luto chega cobrindo tudo com um manto negro e apagando as luzes. Muitos de nós perdemos alguns minutos debruçados em suas janelas observando as nuvens dançando pelo céu e imaginando o que será de suas vidas, mas na verdade anos se passam assim – e não minutos – acabando com tudo antes mesmo de ter a chance de acontecer.

O sorriso das pessoas envelhece, elas te acompanham por toda a vida em diversos momentos…Mas sempre há a hora em que a expressão se desfaz em sombras caindo no sono eterno, e aqueles sorrisos de que você tanto gostava e sorria só de pensar, trarão agora consigo lágrimas, pesares e até mesmo uma expressão triste traçada em você. Nada é mais como antes. Perguntamo-nos muitas vezes quem daria falta de nós se resolvêssemos sumir por uns tempos ou simplesmente sumir pra sempre, pra outra existência. Imaginamos como será nossa morte, quem rirá, quem chorará, quem irá vê-lo uma última vez e quem vai se lembrar de você nos anos seguintes mantendo a pequena chama de sua existência acesa dentro de outros milhares por todo o mundo. Triste todos ficam nas primeiras semanas ou meses, mas quem realmente vai lembrar de você com a profundidade que deviam?

Fazemos parte de um círculo social onde ninguém de verdade possui uma sombra própria, todos somos existências apagadas há muito tempo e com um propósito (mesmo que inútil). Caminhando por essa estrada chuvosa nós nos enganamos ao pensar que somos especiais de verdade ou seremos importantes, pode até ser que seja relevante em alguns aspectos mas pense bem: somos todos histórias que estão sendo lembradas ou contadas por alguém num futuro ou passado, criações do inexistente que já morreu, o começo e fim de cada um é previsível e está escrito no velho papel do universo que por tanto tempo foi um mistério para nós. O ciclo da vida é a morte, a morte desencadeia acontecimentos para haver nova vida e essa vida queimar violentamente sua existência para ramificar esse ciclo e assim manchado por milhares de almas, vivemos.

Finais felizes não existem definitivamente, o final ideal existe dependendo de onde você quer parar a sua história.

A chama da vela do bolo fica acesa aguardando pelo sopro inocente que irá apagá-lo em um momento breve, mas mesmo assim ela ilumina tudo a sua volta enquanto ainda existe. Algumas chamas são teimosas a apagar, outras mais memoráveis pelo seu modo de brilhar ou se espalhar, algumas são consumidas por si mesmas e causam um incêndio, mas no fim todas se apagam deixando a escuridão como herança.

- Faça um desejo!

- Eu não acredito nesse tipo de coisa, nunca acontece.

- Faça mesmo assim e acredite, que daí acontece!

Ano 11.

A chama se apaga, os pássaros voam, o inverno chega, os oceanos inundam as cidades e o céu distmico faz lágrimas de sangue negro cair sobre as pessoas. Mas tudo continua igual naquela cidade, naquela casa, naquela alma…Sua essência clamava por calor e um pouco de afeto mas talvez ainda fossem necessárias que algumas chamas se apagassem para encontrar aquela que o entenderia e pudesse reconfortá-lo num sono tranqüilo como criança, envolvido por seus braços.

Pacientemente eu espero…

Twins: Sleep & Death

Postado em Campo Vazio com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 22/04/2010 por K.

A luz entrava pela fresta da janela, branca como uma manhã de inverno carregando mínimas partículas de pó que esvoaçavam livremente sobre a brisa tranqüila e imperceptível. A mesma luz que se refletia e refratava de vários modos naquele mesmo quarto também atingiam aquelas pupilas acinzentadas, sem brilho e vida. Dormia profundamente naquela manhã na qual eu havia sentido minha cama me dragar completamente pra dentro de um sonho escuro e estranho. Sonhei com esperanças de uma vida que queria ter e pessoas que queria ver, mas eu sabia que tudo aquilo era falso e ia desaparecer assim que eu abrisse meus olhos. As estrelas corriam por cima de mim dançando no céu enegrecido pela tristeza daqueles que não podem respirar por vontade própria.

O vento balançava as folhas das árvores fazendo um barulho sutil de como se fosse um arrastar de passos cansados procurando um lugar pra descansar. Nunca havia visto aquele jardim mas tive a sensação que nunca estava tão escuro como naquele momento, apenas a luz fraca da lua distante iluminava o centro do lugar que tinha uma fonte seca e trincada sem jorrar o mínimo pingo de vida. Minha face fria e pálida podia ser vista de longe, tão longe que meu olhar se perdia naquela escuridão buscando um real sentido pra aquilo que eu estava sentindo.

Ninguém espera por você.

Seria só uma mera ilusão acreditar nisso, lembrar dos dias vermelhos que eu me sentava e não me preocupava com o amanhã, ainda com algumas pessoas a minha volta estando sempre ali dia após dia. Eu não tinha mais essa certeza, a medida que me sentei na encosta daquela fonte um calafrio gelado percorreu minha espinha como se fosse uma faca cravando em meu peito. Você pode passar a sua vida toda achando que a pessoa do seu lado é a ideal pra você, mas não é. Em minhas passagens por diferentes lugares e civilizações eu me aproximei de muita gente na qual criei um grande laço de afeto que meu coração enganava-me fazendo pensar: “Isso não vai acabar tão simplesmente”, mas tudo acaba. Os laços se rompiam e o sangue era espalhado a minha volta enquanto eu assistia minha queda solitária ao solo pintado por várias daquelas marcas vermelhas e lembranças derretidas em forma de desejos passados.

O problema real não está nas pessoas mas em mim, talvez seja o meu problema de me envolver facilmente, talvez seja o meu problema de não falar muito como me sinto a respeito de certas coisas…Só sei que aquilo sempre me machucava e me decepcionava de uma maneira que eu pensava após cair: “Não vai acontecer de novo, eu não vou deixar”, mas sempre acontecia. Sempre pensei que era besteira me preocupar com esse tipo de pensamento, mas agora mais do que nunca eu comecei a sentir na pele que era necessário me levantar e remover aqueles cabos que entravam na minha pele pelos braços e cabeça, eu precisava viver e não alimentar amores platônicos que nunca me levavam a lugar algum.

Eu preciso ser realista, não vai dar em nada, tudo o que eu vivi foi uma mera piada de mau gosto na qual eu me permiti enganar pra tentar-me sentir vivo, eu me fechei num cubo escuro e aceitei o fato de não ver mais a luz em troca de impulsos nervosos que poderiam me fazer sentir aquilo que eu nunca teria de verdade: afeto, amor, carinho.

Talvez eu estivesse errado, era a conclusão mais óbvia que eu chegava ultimamente. Enquanto eu me prendia nessa cruz metálica com fios substituindo minha coroa de espinhos e cabos rasgando minha pele substituindo os estigmas, as pessoas viviam lá fora por mais que na minha mente elas prometessem me esperar e viver comigo. Por que faziam isso? Por que eu ACREDITAVA nisso? Não faz o menor sentido se você parar pra pensar, e por que só agora estou me dando conta disso? Por que só agora estou me revoltando?

Talvez seja por que você finalmente cansou de ser escravo de sua própria ilusão.

Eu senti ciúmes de coisas que nunca tive, pessoas que nunca vi, senti medo de perder o que nunca tive ou iria ter. Minha mente se apagava nesse instante enquanto eu ouvia frases de toda a minha vida circulando por minha mente, vozes de minha mãe, meu pai e irmãos…Vozes de amigos que estimava, vozes de mulheres que amei…Mas por que eu não podia fazer nada? Eu só me sentia caindo, caindo, eternamente sem a menor chance de fazer qualquer coisa a não ser ouvir uma retrospectiva rápida e embaçada de minha vida. As músicas se misturavam com as vozes embaladas em poderosos socos que atingiam meu peito causando cada tipo de sentimento diferente, me fazendo lembrar de como era cada um.

Mas eu não podia ver nada, eu não sentia meu corpo. Apenas conseguia sentir o vento escuro me engolindo numa queda que eu não saberia se iria me matar de novo ou se iria apenas me condenar até o sofrimento eterno. Tive vontade de gritar, chorar, fugir e despejar todo o meu ódio contra aquelas paredes de vidro negro que refletiam o quão covarde e inútil eu fui em vida, mas eu não podia…Mal conseguia organizar meus pensamentos e aquilo já tomava conta do meu coração como se fosse uma erva negra envolvendo cada aresta daquele órgão e o apertando até fazê-lo parar completamente. Ouvi momentos de que me arrependi, brigas por coisas tão inúteis e discussões sem sentido. Ri de momentos que pareciam tão sérios na hora mas que depois eu pude notar o quão ingênuos eram. Chorei em silêncio de momentos em que sofri em vida até arrancar sangue de meus olhos por não ter mais como suportar aquela dor, cada sentimento ainda doía com força dentro de mim como estocadas de uma lança pontuda.

Não sabia até quando ia cair ou se isso teria um fim feliz como a maioria das histórias que contam pras pessoas, eu buscava redenção e uma nova chance de mudar, mas já era tarde. Eu precisava sair dali.

Como você faria pra mudar sua vida patética sendo que ela foi do mesmo jeito por tantos anos e agora você sente que se não fizer algo, tudo poderá piorar muito até não ter volta? Era um passo no escuro, você não tem como adivinhar se aquilo vai te derrubar, se vai te dar firmeza ou se esconde uma farpa pra atravessar seu pé e te fazer sangrar até que todo o seu sangue se espalhe pela sala só assim revelando que tudo era uma grande armadilha e você não tinha outra opção sem ser a derrota.

Não iria esperar por mim, ninguém esperou.

Doía-me ver ao longe as pessoas vivendo suas vidas e conhecendo gente nova, se envolvendo e criando novas amizades ou até mesmo algo mais profundo que isso…E eu aqui. Não as culpo por isso, seria injusto e hipócrita de minha parte por que nunca nenhuma delas talvez realmente tenha dito “eu vou te esperar”, mas era no que eu queria acreditar pra viver mais uma ilusão e sentir aquele sentimento correndo por minhas veias de novo me iludindo e fazendo pensar que tudo ficaria bem.

Era hora de tentar mudar, se eu caísse de novo, ao menos saberia como foi. Tudo gira muito rápido e muito forte na minha mente agora, eu não sei exatamente o que quero fazer ou o que devo pensar, eu só sei que não posso mais gastar minha vida vivendo amores impossíveis e imaginando todos os dias como seria se isso acontecesse, sendo que nunca acontecerão. Era hora de ser realista, nem que fosse pra matar todos esses sonhos e imagens distantes de minha mente, eu iria tentar algo diferente.

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