Arquivo de preciso dormir

Stickerbush Symphony

Postado em Abismo com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 10/07/2011 por K.

Por onde devo caminhar de agora em diante?
Essas sombras que envolvem-me enquanto sou corrompido,
corrompido por aquelas lembranças amargas de um triste passado que insistem em deixar marcas, cicatrizes.
Cansado de viver na penumbra de um quarto escuro esperando pelos primeiros raios de luz que assim,
carregam consigo um novo dia e talvez novas esperanças, desisto de tentar.
Vejo todos os meus desejos e sonhos sendo levados por esse estranho entardecer que mancha o horizonte
com sangue à medida que as asas negras das nuvens se abrem cobrindo todo o resto do que era visível.

Logo, um mundo de escuridão se abre e a brisa fria acaricia meu rosto, novamente me acompanhando
em mais uma jornada de desespero e angústia na qual o meu coração grita por socorro na tentativa
inútil de ser ouvido e assim não ser esquecido.
Lembro-me daqueles dias de inverno ao qual meus dedos roçavam o teu rosto gelado e calmo, que sustentava
um sorriso dócil e um olhar opaco de quem procurava me ver mas que ao mesmo tempo estava cega por
suas próprias ilusões e medos.

Foi difícil aceitar que mais uma vez a vida roubava-me uma das coisas que mais amava: você.
Os dias encheram-se de vazio à medida que as manhãs não tinham mais o mesmo sabor doce da sua presença,
não via mais o azul do céu, apenas um manto negro perpétuo que insistia em cobrir-me as vistas e
lembrar-me todos os dias daquele seu olhar, perdido, apaixonado e desesperado ao mesmo tempo, que
pedia por socorro e dizia adeus aceitando seu destino, enquanto eu não podia fazer nada à não ser
esgotar minhas forças gritando teu nome e tentando reunir forças pra lhe alcançar.

E eu continuo caminhando. Sem rumo.
Vivo preso no corpo de um estranho, não tenho nome, não tenho ocupação, apenas jogo estes versos
ao vento para que ele carregue-o pra longe onde espero que a minha dor crie asas e voe junto
com eles pra onde os nossos olhares não sejam lembrados, nossas gargalhadas estejam mergulhadas
em um profundo silêncio e onde o nosso amor consiga florescer novamente, desempedido de todas
as mentiras e falsos testemunhos que presenciavam antes. Onde nem mesmo o céu e o inferno
poderá nos separar…E se assim insistir em levarem-te novamente de mim, irei junto, deixando
que a correnteza piedosa de um mar negro pelo caos me leve pra junto de ti.

17/01/2010

Black Reaper

Postado em Minha mente doente com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , em 07/07/2011 por K.

Era uma noite fria de julho, sem muitas estrelas visíveis e com um céu totalmente negro onde nem mesmo as nuvens tinham vontade de aparecer… O frio era intenso, mas ainda dentro dos limites da normalidade para o local. Na penumbra, em baixo de uma árvore, era possível ver sua silhueta cansada e notar seu olhar caído e desanimado em direção ao céu, o jovem dentro de vestimentas negras parecia estar cansado, mas não havia sinais de luta pelo seu corpo ou uma afobação eminente através do seu rosto. A cidade inteira parecia não existir mais, como se de uma noite para a outra todas as almas se perdessem num redemoinho de desespero e solidão inescapável. Ele não ligava, até gostava da solidão e tinha se acostumado com isso…. Afinal, sua vida toda fora assim, um retrato de si mesmo – miserável e abandonado – caminhando com as mãos no bolso durante um dia frio em meio a uma multidão sem cor e disforme que não o via, nem faziam questão de ver. Naquela noite ele podia sentir o frio percorrendo suas veias e sendo expulso pelo seu corpo em pequenas tossidas curtas e silenciosas, embora adorasse essa época do ano, sentia que o frio de fora não se equiparava ao frio interior, o frio que a sua alma sentia e já desistia de tentar lutar contra.

Seus cabelos negros e de um comprimento considerável, cobriam parte do seu rosto a medida que ele se encolhia para tentar se aquecer aos pés do velho carvalho, inutilmente. Logo em seguida lançara um olhar em frente calmo e frio, um olhar vazio e opaco que representava as noites sem sono, os dias solitários, as dores sentidas e o silêncio que estava sempre presente em si. Ele não sabia o que fazer de sua vida ou o que pensar, já tinha lutado inúmeras batalhas por ideais e outras mais por amor, amizade e sentimentos que pensara valer a pena, mas no fim, terminava sempre sozinho. E dessa vez pra valer.

O silêncio mergulhava pela cidade e nadava livremente entre as ruas escuras e outras pouco iluminadas, a cidade estava imersa numa neblina suave que parecia uma cortina quase que transparente, e ninguém se atrevia a quebrar a serenidade de tal momento. A contemplação do silêncio é algo introspectivo e pessoal, mas naquele dia, o silêncio e a introspecção haviam tomado conta da cidade e abraçado friamente o jovem que sempre os acompanhou. Ali, ele estava sozinho… Mas estava, ao menos, acompanhado da sua própria solidão. O vento soprava calmamente notas de músicas esquecidas que soavam de certa forma, fantasmagóricas na ocasião…Mas isso não mudava nada, nem o assustava. O jovem então levantou-se e caminhou serenamente dentre a neblina, procurando em vão por alguma companhia, mas tudo o que encontrava era um ambiente congelado como se o tempo tivesse parado naquela madrugada e nunca mais voltado. Foi então que resolveu aceitar sua condição e decidiu viver numa cidade sem pessoas, sem sentimentos e sem problemas.

Embora ninguém existisse de verdade ali, ele podia ver suas memórias, amigos e até mesmo a única pessoa que amou de verdade… Eles não eram reais, não estavam vivos nesse mundo e não podiam conversar com ele, mas ele sabia que se olhasse para o lado em busca de um olhar familiar, poderia pelo menos ter uma chance de ver aqueles que foram um dia importante para ele. E assim, esquecido como uma memória antiga, ele vagava furtivamente pela noite. Ele era o vapor que cobria as ruas, a sombra que dançava contra as luzes, o olhar que buscava repouso, a existência esquecida

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